Investimento de R$ 4 bilhões: Iema pede informações sobre LTF
ArcelorMittal tem prazo até julho para entregar complementação ao órgão sobre projeto em Tubarão, que prevê 3 mil novos empregos
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O Instituto Estadual do Meio Ambiente (Iema) pediu mais informações sobre o projeto da ArcelorMittal para a instalação do Laminador de Tiras a Frio (LTF) e linha de galvanização na unidade Tubarão, na Serra.
O projeto, orçado em R$ 4 bilhões, promete criar quase 3 mil empregos diretos — são 2.500 na fase de construção e 450 para a operação. O pedido de licença prévia e de instalação do equipamento, etapa que precede o início da construção, foi encaminhado ao órgão em setembro do ano passado, confirmou o instituto.
No dia 17 de março, o Iema requereu a complementação das informações, dando à empresa o prazo de 120 dias — ou seja, até julho — para que ela revise o documento e o devolva ao instituto para que o parecer final seja dado sobre a construção da planta.
Aprovado o documento, a expectativa é de que a construção dure cerca de três anos. Se confirmado o licenciamento em julho deste ano, o LTF pode já estar operando em 2029, um ano após o início previsto das operações da Great Wall Motors (GWM) em Aracruz, no Norte do Espírito Santo.
Questionada sobre quando o documento deve ser novamente remetido ao Iema, a ArcelorMittal informou que não comentaria o assunto.
A indústria automotiva é tida como uma das principais demandantes desse material. A presença do LTF no Estado pode fortalecer, inclusive, as negociações entre lideranças locais e montadoras.
Na época do anúncio dos estudos para o projeto, o CEO da ArcelorMittal Aços Planos América Latina, Jorge Oliveira, destacou que o equipamento fortalecerá a presença da empresa em mercados como os setores automotivo, de eletrodomésticos e construção civil.
Atualmente, a unidade da ArcelorMittal no Espírito Santo produz 7,5 milhões de toneladas de aço em placas e bobinas a quente e emprega diretamente cerca de 5 mil pessoas e mais de 5 mil indiretamente.
No Brasil, as plantas da empresa espalhadas em oito estados têm capacidade de produção anual de 15,5 milhões de toneladas de aço bruto e de 8 milhões de toneladas de minério de ferro, que abastecem as indústrias automobilística, construção civil, eletrodomésticos, óleo e gás, máquinas e equipamentos, entre outras.
Importação pressiona aço
Embora ainda não finalizada, a confirmação das obras do projeto do Laminador de Tiras a Frio (LTF) da ArcelorMittal pode indicar uma aceitação das medidas do governo federal em relação à proteção do mercado contra a chamada “invasão” de aço chinês.
Mesmo assim, dados do Instituto Aço Brasil mostram que as importações de aço cresceram 22% em fevereiro, frente a janeiro, e somaram 629 mil toneladas, em meio à pressão crescente sobre a indústria siderúrgica brasileira.
O avanço das importações foi puxado principalmente pelos produtos laminados, que representaram a maior parte do volume que entrou no País, com 588 mil toneladas, alta de 32,6% na comparação mensal, publicou a CNN Brasil.
Essa pressão sobre as importações tem sido um dos principais pontos de atenção do setor siderúrgico no Brasil.
Saiba Mais
Pedido de licença ambiental feito em 2025
Licenciamento
O Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) informou que a ArcelorMittal requereu, em setembro de 2025, a Licença Prévia e a Licença de Instalação para o projeto do Laminador de Tiras a Frio (LTF) e da linha de galvanização.
Após análise técnica do material apresentado, o Iema emitiu, no último dia 17 de março, uma notificação solicitando a complementação de informações do estudo ambiental.
A empresa possui prazo de até 120 dias, a partir da data da notificação, para atendimento das exigências.
Atualmente, o Iema está aguardando o retorno da empresa com os ajustes solicitados para dar continuidade à análise.
O projeto é considerado prioritário pelo governo estadual. A prioridade é, inclusive, definida oficialmente, conforme estabelecido na Portaria Nº 173-R, de 3 de dezembro de 2025.
Planta estratégica
A nova linha de laminação e outra de revestimento é considerada pela ArcelorMittal um dos projetos “mais relevantes do Grupo” e se soma ao plano estratégico da empresa no Brasil, que prevê investimentos totais de R$ 25 bilhões entre 2022 e 2028.
O LTF vai permitir à unidade de Tubarão expandir a cadeia de produção e oferecer produtos com maior valor agregado, posicionando o Espírito Santo como um “polo estratégico de inovação e desenvolvimento para a indústria do aço nacional”, comenta.
Com foco na produção de aço de alta qualidade, o LTF será responsável por fabricar produtos laminados a frio a partir das bobinas a quente já produzidas em Tubarão.
Elas vão abastecer o mercado e a linha de Revestimento Contínuo — que vai aplicar aos produtos um revestimento metálico, garantindo maior resistência à corrosão e acabamento diferenciado.
Com início das etapas de engenharia e contratação programadas para o primeiro semestre de 2026, a operação está prevista para o primeiro semestre de 2029.
A construção promete criar 2.500 empregos nas obras. Já na operação, serão 450 profissionais.
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