Indústria metalmecânica do ES exporta mão de obra para megaprojetos no Brasil
Setor exporta profissionais e equipamentos; cerca de 2 mil capixabas atuam na obra da Arauco no MS, diz o Sindifer-ES
Enquanto o Espírito Santo toca os investimentos industriais, milhares de profissionais capixabas contratados por empresas do Estado já cruzam as divisas para ocupar vagas em alguns dos maiores projetos industriais do Brasil.
A experiência acumulada pela indústria metalmecânica local transformou o Espírito Santo em fornecedor de mão de obra especializada e de equipamentos para empreendimentos de celulose, mineração e siderurgia.
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À reportagem, o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Espírito Santo (Sindifer-ES), Luiz Alberto de Souza Carvalho, fala sobre duas frentes do mercado de trabalho.
A Tribuna - Como avalia o momento vivido pela indústria metalmecânica no Espírito Santo diante dos novos projetos anunciados para o Estado?
Luiz Alberto de Souza Carvalho - Vivemos uma expectativa positiva. Sempre que um grande empreendimento industrial se instala, ele gera demanda para toda a cadeia produtiva.
O setor metalmecânico participa praticamente de todos esses projetos, seja na fabricação, montagem ou manutenção. Então, independentemente do segmento da indústria, haverá oportunidades para empresas e trabalhadores.
O setor metalmecânico capixaba já fornece mão de obra para projetos em outros estados?
Sim. Hoje nossas empresas atuam em grandes obras pelo Brasil. Estamos presentes, por exemplo, na construção da fábrica da Arauco, no Mato Grosso do Sul, considerada a maior fábrica de celulose em construção no país. Também participamos de projetos da Klabin, no Paraná, da CMPC, no Rio Grande do Sul, além de empreendimentos ligados à mineração em Minas Gerais, Carajás e Maranhão.
Esses projetos levam profissionais capixabas para trabalhar fora?
Certamente. Principalmente os profissionais qualificados. No caso da Arauco, por exemplo, estimamos que atualmente cerca de 2 mil trabalhadores do setor metalmecânico do Espírito Santo estejam atuando no Mato Grosso do Sul. São obras que costumam durar cerca de 24 meses.
Além da mão de obra, o Espírito Santo também fornece equipamentos para esses empreendimentos?
Sim. Grande parte das estruturas metálicas, tubulações, pipe racks, sistemas de refrigeração e outros componentes é fabricada aqui e enviada para montagem nas obras. Ou seja, o projeto gera empregos tanto na fabricação quanto na montagem em outro estado.
Qual é a especialidade da indústria metalmecânica capixaba?
O Espírito Santo desenvolveu uma grande expertise nas áreas de celulose, mineração e siderurgia. Nossas empresas atuam na fabricação, montagem e manutenção dessas indústrias e já são reconhecidas nacionalmente por esse trabalho.
Considerando todos os grandes projetos previstos para o Espírito Santo, qual deve ser a participação do setor metalmecânico na abertura de empregos?
Acredito que essa participação continue em torno de 70%. Sempre falo em metalmecânica e elétrica juntas, porque esses dois setores caminham lado a lado em praticamente qualquer empreendimento industrial.
Quais profissionais serão mais demandados?
Primeiro vêm os engenheiros mecânicos, elétricos e de automação, responsáveis pela gestão dos projetos. Depois aparecem planejadores, supervisores e encarregados. No chão de fábrica, a demanda é por soldadores, caldeireiros, mecânicos, eletricistas e montadores industriais.
O que o mercado espera desses profissionais?
O mercado procura pessoas com vontade de crescer. Quem entra como soldador, por exemplo, pode se tornar líder, encarregado, supervisor, coordenador e até gerente. Existe espaço para evolução profissional para quem demonstra dedicação e ambição.
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