Hotéis com maioria dos quartos sem reserva
Em Guarapari, a média de ocupação não passa de 50%, com alguns estabelecimentos beirando os 20% de unidades reservadas
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A pouco dias para o feriadão da Semana Santa, o setor hoteleiro de Guarapari tem previsões desanimadoras para esse que é considerado um dos períodos mais lucrativos do turismo da cidade.
Até o momento, a média de ocupação dos hotéis não passa de 50%, com estabelecimentos beirando os 20% de unidades reservadas. Os dados são da Associação de Hotéis e Turismo de Guarapari (AHTG).
Segundo a presidente da associação, Adriana Marques, nenhum estabelecimento chegou a 50% de ocupação com reservas avulsas. “Apenas hotéis com grupos de excursões programadas ultrapassaram essa taxa. Fora isso, a expectativa está baixíssima”, conta.
As projeções preocupam ainda mais um setor que vem de um Carnaval bem abaixo do esperado. Poucos hotéis chegaram a 70% de ocupação, mesmo adotando estratégias de quebra dos pacotes de hospedagem para períodos menores que quatro dias.
“Isso prejudica demais. Nós trabalhamos com projeções de faturamento para os períodos de Réveillon, janeiro e Carnaval, e cada um deles possui tarifas, taxas e pacotes diferentes. Observamos que as reservas têm sido feitas muito em cima da hora, com quebras de pacote e valores abaixo do esperado”, diz.
Análise
O presidente da Câmara Empresarial de Turismo (CET Guarapari), Gustavo Guimarães, aponta que é necessária uma ampla análise entre os setores para entender o cenário e definir os próximos passos.
“Tivemos um Réveillon muito bom, depois um janeiro positivo até o dia 15 e um Carnaval bastante fraco, e agora as projeções da Páscoa. Isso nos obriga a fazer uma análise de todo o segmento, pois há uma sequência de queda. Precisamos de um turismo qualificado”, afirma.
De acordo com Fernando Otávio Campos, secretário municipal de Turismo, a pasta já havia identificado baixa procura por meio de uma pesquisa.
No entanto, o mesmo levantamento também apontou que a decisão de escolher Guarapari como destino ainda acontece no período de 15 a 30 dias antes da data.
“A prefeitura está intensificando a divulgação da programação da Páscoa, ações de manutenção e limpeza, e trabalhando para divulgar Guarapari como um destino ideal para a família neste feriado”.
Comércio vê alerta, mas bares estão mais otimistas
Outros setores ligados ao turismo também têm acompanhado com atenção os dados apresentados pela rede hoteleira.
O superintendente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL Guarapari), Aguinaldo Ribeiro, afirma que as baixas projeções da hotelaria acendem um sinal de alerta, mas ressalta que os imóveis de temporada exercem um papel importante na cidade, contribuindo para a movimentação do comércio.
“De toda forma, é importante ficar atento aos sinais do mercado e, ao final de cada período, fazer uma avaliação mais ampla para compreender o comportamento do turismo e seus reflexos na economia”.
No setor de bares e restaurantes, a expectativa é mais positiva. De acordo com o representante do Sindicato de Bares e Restaurantes (Sindbares-ES) em Guarapari, João Marcelo Lourenço, a Semana Santa costuma ser um período relevante para a economia local, especialmente para os estabelecimentos de alimentação.
“Os bares e restaurantes estão organizando cardápios especiais para a Semana Santa e para a Páscoa. Também sabemos que, muitas vezes, o movimento aumenta bastante na semana do feriado, quando muitas pessoas decidem viajar de última hora”, diz.
Concorrência maior com plataformas preocupa setor
Uma análise da Associação de Hotéis e Turismo de Guarapari (AHTG) resultou em um relatório que traça o perfil da rede hoteleira e apresenta demandas e sugestões do setor.
Entre os pontos de atenção estão a concorrência com plataformas de hospedagem e locação, além das crises hídricas registradas no verão, fatores que, segundo o documento, colaboraram para a redução de reservas para o próximo feriado.
Para Adriana Marques, presidente da associação, é necessária uma regulamentação dos imóveis ofertados para aluguel por meio de sites e aplicativos.
“Em Guarapari, existe uma superocupação de locações impactando na mobilidade urbana, na água e no saneamento básico. A solicitação é simples: que se implemente e fiscalize a lei do Cadastur, que tem amparo federal. Não existe uma proibição nem nada parecido, mas é preciso que as regras sejam cumpridas”, defende.
Em nota, a Secretaria Municipal de Turismo informou que “recebeu com seriedade, respeito e senso de responsabilidade o diagnóstico apresentado pelo setor” e afirmou que tem enfrentado muitas das pautas apresentadas, como a publicação do calendário de eventos.
“Além disso, a prefeitura já iniciou a implantação do Plano Municipal de Turismo e está em processo de contratação do plano de branding do destino, medidas consideradas estruturantes para consolidar uma política pública de longo prazo”, segue o comunicado.
Por fim, a pasta pondera que a movimentação menor no verão não é exclusiva de Guarapari, tendo sido registrada também em outros destinos do estado, como parte de uma mudança no turismo brasileiro, e afirma que trabalha para tornar a cidade um destino “qualificado, acolhedor e competitivo para o turista contemporâneo”.
Entenda
Movimento fraco no Carnaval
Baixa procura
A poucos dias da Semana Santa, o setor hoteleiro de Guarapari registra baixa procura, com média de ocupação inferior a 50% e alguns estabelecimentos com cerca de 20% das unidades reservadas, segundo levantamento da Associação de Hotéis e Turismo de Guarapari (AHTG).
De acordo com a presidente da AHTG, Adriana Marques, apenas hotéis que já tinham excursões programadas ultrapassaram 50% de ocupação, enquanto as reservas individuais seguem abaixo do esperado para o período.
Preocupação no setor
O cenário preocupa o setor, que também registrou desempenho abaixo das expectativas no Carnaval, quando poucos hotéis atingiram 70% de ocupação mesmo com a flexibilização de pacotes de hospedagem.
Representantes do turismo apontam que as reservas têm sido feitas cada vez mais próximas das datas, muitas vezes com quebra de pacotes e tarifas abaixo do planejado, o que impacta o faturamento projetado para períodos estratégicos.
Pesquisas
A Secretaria Municipal de Turismo informou que pesquisas já indicavam baixa procura, mas apontam que a escolha do destino costuma ocorrer entre 15 e 30 dias antes do feriado, e que a prefeitura intensifica ações de divulgação e manutenção da cidade para o período.
Um relatório da AHTG também aponta fatores que podem influenciar o cenário, como a concorrência com plataformas de aluguel por temporada e os impactos das crises hídricas registradas durante o verão.
O setor defende a regulamentação das locações via sites e aplicativos, com a aplicação e fiscalização da lei do Cadastur, para garantir regras iguais entre meios de hospedagem.
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