Guerra no Oriente Médio: viajar de avião deve ficar até 20% mais caro
Reajuste confirmado aumenta custos das companhias. Tarifas sobem no curto prazo e governo analisa ações para conter impacto
Siga o Tribuna Online no Google
Diante da escalada do preço do querosene de aviação, associada à guerra no Oriente Médio, o governo federal avalia medidas para conter o impacto nas passagens aéreas.
Com o reajuste integral de quase 55% no valor do combustível de aviação confirmado pela Petrobras, as passagens aéreas devem aumentar pelo menos 20% no curto prazo, com valores maiores em rotas com menor concorrência, segundo técnicos de aviação civil do governo ouvidos pelo jornal O Globo.
Depois, durante o dia, a Petrobras anunciou que vai parcelar o reajuste. Pelo novo modelo, distribuidoras que atendem o setor aéreo comercial poderão optar por pagar apenas 18% de aumento e parcelar a diferença em até seis vezes, a partir de julho.
A medida oferece um prazo de até três meses para o pagamento da primeira prestação da diferença devida. O mecanismo funciona como uma carência, para aliviar o fluxo de caixa das empresas aéreas no curto prazo.
O combustível é um insumo sensível para a aviação, visto que, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), passa a representar cerca de 45% do custo operacional das companhias, após esse aumento anunciado pela Petrobras.
O Ministério de Portos e Aeroportos enviou uma proposta ao Ministério da Fazenda com sugestões para reduzir a pressão sobre o setor aéreo.
O documento, que foi elaborado pela Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC), traz algumas sugestões, tais como: redução temporária de tributos incidentes sobre o querosene de aviação (QAV); redução do IOF sobre operações financeiras das empresas aéreas; e redução do Imposto de Renda sobre operações de leasing de aeronaves.
Na avaliação do Ministério de Portos e Aeroportos, as medidas preservariam a competitividade das empresas, evitariam repasses excessivos ao consumidor e manteriam ativa a conectividade aérea do País.
Outra medida em estudo é a criação de uma nova linha do Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac) para compra de QAV. A medida seria em caráter temporário, de acordo com o portal g1.
Empresas aéreas fazem alerta
O reajuste do querosene de aviação terá “consequências severas” para a operação das companhias aéreas, manifestou a Abear ontem por meio de nota.
A associação não mencionou um eventual aumento nos preços das passagens. Segundo a Abear, a nova alta, somada ao reajuste de 9,4% aplicado desde 1º de março, faz com que o combustível passe a representar 45% dos custos operacionais das companhias aéreas. Até então, a fatia superava 30%.
“A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do País e a democratização do transporte aéreo”, disse, em nota, a Abear.
“Embora mais de 80% do QAV consumido no Brasil seja produzido internamente, sua precificação acompanha a paridade internacional, o que intensifica os efeitos das oscilações do preço do barril de petróleo sobre o mercado doméstico, ampliando os impactos de choques externos sobre os custos das companhias aéreas”, completou.
O querosene de aviação é reajustado mensalmente. A Petrobras define o preço de venda para as distribuidoras sempre no primeiro dia de cada mês. O índice de abril, fixado em 55%, superou significativamente os registros anteriores. Em março, por exemplo, a alta foi de 9%, enquanto em fevereiro houve queda de 1% nos preços.
A variação acompanha a escalada do barril tipo Brent, ou seja, o “preço-padrão” de referência para o mercado global de compra e venda de óleo bruto. Atualmente, o barril é negociado acima de US$ 100. Antes do agravamento das tensões geopolíticas, a commodity era cotada próxima de US$ 70.
A instabilidade em rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, afetou a oferta do produto. Em Ipojuca, na refinaria Abreu e Lima, por exemplo, o litro do combustível passou de R$ 3,49 para R$ 5,40.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários