Guerra no Oriente Médio deixa resina mais cara e impacta no preço das embalagens
Valor das resinas subiu duas vezes em uma única semana, o que força um aumento geral nos preços dos produtos
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A indústria do plástico capixaba tem sido afetada pelos efeitos do conflito do Oriente Médio. As resinas plásticas, que são matéria-prima para produzir embalagens utilizadas em produtos de setores variados, como alimentação e saúde, têm sofrido sucessivos aumentos de preço.
É o que informa o Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado do Espírito Santo (SindiplastES). Barbara Esteves, presidente da entidade, reclama, dizendo que são “aumentos muito abusivos”. “Só na semana passada, recebemos dois reajustes, um atrás do outro”, disse a presidente.
Ela explica que, entre o mês passado e ontem, o preço do quilo da resina aumentou entre R$ 8 e R$ 17. Por trás disso, está o conflito do Oriente Médio e a restrição do transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, que tem tido efeitos sobre custos e disponibilidade de insumos petroquímicos.
A resina é um derivado de fontes petroquímicas, informa, destacando que já há pequenos produtores sem estoque no Espírito Santo.
“Nossa indústria faz embalagem para o setor de alimento, higiene, logística, agricultura, saúde... Todos os setores da cadeia produtiva vão ser afetados. No fim, isso será repassado ao consumidor”.
Ela estima que isso poderá acontecer em até três meses.
Segundo Júlio Rocha, presidente da Federação da Agricultura do Espírito Santo (Faes), a alta dos preços causada pelo conflito no Oriente Médio, principalmente por causa do aumento do diesel, já está sendo sentida nos supermercados.
“Está causando um impacto muito severo. A tendência é agravar. Tudo vai subir, mas tem algo pior: não ter o produto no supermercado quando você for comprar”.
Nem todas as indústrias, porém, estão sentindo os efeitos. Uma delas é a de calçados. O empresário Altamir Alves explica que ainda não houve um aumento de preços no setor, mas isso decorre do fato de os pedidos sendo fabricados terem sido negociados antes da guerra. “Claro que a guerra vai provocar um aumento”, afirma.
Vitor Guidini, presidente do Sindicato das Indústrias da Madeira e do Mobiliário de Linhares e Região Norte do ES, afirma ter sido comunicado de um aumento de 8% no preço da espuma. “Mas ainda há muita especulação no setor.”
Entenda
O que está acontecendo?
O conflito dos Estados Unidos, Israel e Irã tem causado efeitos na economia mundial. Um dos fatores de preocupação é com o Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã, onde passa 20% do petróleo do mundo.
O conflito tem causado sucessivos aumentos do preço do diesel e da gasolina no Brasil, o que, por sua vez, afeta todas as indústrias, inclusive a de alimentos.
O Governo Federal acatou uma redução temporária de alíquotas de impostos sobre o diesel, a pedido da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Além disso, tem causado dificuldade de acesso a derivados do petróleo, como a resina usada pela indústria de embalagens.
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