“Geopolítica deixa de ser só pano de fundo”, diz economista
Economista do Sicredi diz que guerras e disputa comercial passaram a pesar mais nas decisões de investimento no Estado
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Antes vistos como “pano de fundo” nas decisões econômicas locais, as guerras no Oriente Médio e na Ucrânia, o “tarifaço” e o fechamento do Estreito de Ormuz — corredor importante principalmente para o setor de energia — passaram a estar no centro da discussão nas escolhas de investimentos no Espírito Santo.
Foi o que apontou o economista-chefe do Sicredi, André Nunes, ao analisar o cenário econômico do Brasil durante evento do Sicredi Serrana para empresários, ontem, em Vitória. As tarifas impostas pelos Estados Unidos, apesar dos recuos, preocupam a mineração, a siderurgia e o agronegócio exportador, devido às mudanças constantes do presidente norte-americano, Donald Trump.
Já os impactos dos conflitos armados no preço dos combustíveis e na escolha de investidores sobre o que fazer com o dólar têm mexido com as bolsas de valores e com o dinheiro que entra nas economias locais — o que está associado diretamente ao Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas) capixaba, majoritariamente inserido no mercado global.
O economista-chefe explica que, antes do ataque de 28 de fevereiro, que resultou no início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, a perspectiva era de uma queda acentuada da Selic — a taxa básica de juros.
A previsão, no entanto, mudou drasticamente após o episódio, com uma projeção de redução bem mais moderada.
“Isso acabou impactando preços de combustíveis, trazendo a inflação um pouco mais para cima. A gente vai ver se materializando ao longo dos próximos meses. E aquela taxa de juros que seria mais baixa não vai ser tão mais baixa do que a gente imaginava”, afirma.
A perspectiva é de que a Selic termine o ano em 13,25%, acima de um dígito. O agronegócio, que corresponde a um terço dos clientes do Sicredi, sente o impacto do momento, que se soma às incertezas geradas pelas eleições no Brasil e para o Congresso dos EUA.
Neste momento de falta de clareza sobre os rumos econômicos, a marca aposta na essência do cooperativismo como posicionamento estratégico: ampliar o relacionamento direto com a comunidade para personalizar os produtos, sem modelo único.
“O crescimento e desenvolvimento da cooperativa depende do crescimento local. Isso acaba sendo um grande diferencial para o setor, principalmente quando a gente compara com outras instituições financeiras”, disse.
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