Fim da escala 6x1: “Lojas terão de atuar com inteligência”
Vice da Fecomércio diz que empresários veem mudança consolidada. E nega que a abertura aos sábados possa ser comprometida
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O fim da escala 6x1 deve levar o comércio para uma lógica menos baseada em longas jornadas de funcionamento e mais apoiada em inteligência, análise de dados e compreensão do comportamento do consumidor.
A avaliação é do vice-presidente da Federação do Comércio do Estado (Fecomércio-ES), José Carlos Bergamin. Ele afirma que a ampliação do número de folgas semanais — em discussão no Congresso Nacional, com o apoio do governo federal — já é tratada pelo empresariado capixaba como inevitável.
A mudança, porém, não ameaça a abertura das lojas aos sábados, segundo Bergamin. Ele avalia que os lojistas precisarão entender com precisão os horários de maior movimento para concentrar equipes e atendimento nos momentos em que o consumidor realmente procura os serviços.
O comércio tende a se adaptar sem grandes traumas, embora pequenos empreendedores possam enfrentar mais dificuldades por trabalharem com equipes reduzidas, na avaliação do vice-presidente, que faz ressalvas, como os setores da saúde e do turismo, com projeção de desafios maiores na reorganização das jornadas.
Bergamin citou a própria experiência na Konik, sua empresa. Segundo ele, a companhia já adota uma carga semanal de 36 horas, com seis horas diárias ao longo de seis dias da semana.
Bergamin afirmou que o modelo ajuda a reter trabalhadores e contribui especialmente para a permanência de mulheres no mercado de trabalho, por permitir melhor conciliação entre emprego, filhos e rotina familiar. Caso a escala 6x1 seja encerrada, a empresa terá de rever o formato atual, já que hoje os funcionários contam com apenas uma folga semanal.
Para o diretor da federação, o entendimento de que haverá a mudança na escala já está consolidado dentro do setor empresarial.
O foco agora, segundo ele, deve estar menos na resistência à mudança e mais na capacidade de adaptação das empresas. O debate do empresariado é, agora, em um período de adaptação, com um cronograma para levar a mudança efetiva para mais adiante.
A Câmara dos Deputados iniciou uma série de seminários regionais para discutir o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho. Após abertura em João Pessoa, os debates passarão por São Paulo, Porto Alegre, São Luís, Belo Horizonte e Manaus nas próximas semanas.
Oposição quer retardar PEC
A oposição no Senado articula uma estratégia para retardar o avanço da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1 e empurrar a votação final para depois das eleições.
Dois caminhos vêm sendo discutidos nos bastidores. O principal envolve uma tentativa de convencer o presidente da Câmara, Hugo Motta, a desacelerar a tramitação da proposta na Casa, fazendo com que ela chegue ao Senado apenas entre junho e julho e comece a tramitar efetivamente em agosto.
A avaliação de senadores da oposição é que junho tende a ter ritmo reduzido de votações por causa da Copa do Mundo, das convenções partidárias e das festas juninas, o que ajudaria a prolongar a análise da PEC e transferir a votação final para depois do processo eleitoral. Nos bastidores, parlamentares avaliam que votar contra o fim da escala 6x1 pode ter alto custo político, mas consideram possível atrasar a implementação e até reabrir o debate só em 2027.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, já teria conversado com Hugo Motta sobre o assunto. O presidente da Câmara, porém, teria reafirmado compromisso com o Planalto para acelerar a votação e concluir a análise este mês.
Desgaste
A oposição tenta aproveitar o momento de desgaste entre Alcolumbre e o governo Lula após a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). Um segundo plano discutido seria tentar retardar a tramitação já dentro do Senado.
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