Exploração de urânio: crescimento acelerado da IA eleva a demanda energética
Corrida global pela IA impulsiona investimentos em energia nuclear e abre espaço para o Brasil se destacar na cadeia do urânio
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A corrida global pela Inteligência Artificial (IA) está redefinindo não apenas o setor de tecnologia, mas também a forma como grandes empresas garantem energia para sustentar suas operações em países como os Estados Unidos e a China.
Gigantes como Google, Amazon, Microsoft e Meta passaram a investir diretamente em energia nuclear, buscando uma fonte estável e limpa para alimentar data centers cada vez mais intensivos em consumo elétrico.
O crescimento acelerado da IA elevou a demanda energética a patamares inéditos. Um único data center de grande escala pode consumir energia equivalente à de uma cidade de médio porte, o que transformou o fornecimento elétrico em uma questão estratégica para essas empresas.
Para o presidente da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan), Celso Cunha, o cenário internacional é extremamente favorável para o Brasil.
“O mundo vive uma expansão da energia nuclear e há uma demanda crescente por urânio. Muitos países hoje buscam garantir suprimento para seus programas nucleares. O Brasil tem todas as condições de aproveitar essa oportunidade de forma estratégica, estruturando uma cadeia produtiva robusta e competitiva”, avaliou.
A oportunidade para o Brasil não decorre apenas da corrida tecnológica, e sim de uma mudança mais ampla na matriz energética mundial. O ganho econômico virá se o País conseguir transformar reserva mineral em produção, licenciamento, escala industrial e oferta confiável, destacou o economista Eduardo Araújo.
“O pano de fundo mais amplo é o avanço da eletrificação da economia mundial, com mais demanda por energia para indústria, climatização, veículos elétricos, digitalização e data centers”, explicou.
A Agência Internacional de Energia projeta crescimento médio superior a 3,5% ao ano da demanda global de eletricidade até 2030, e estima que renováveis e nuclear juntas devem alcançar cerca de metade da geração mundial no fim da década, enquanto data centers apenas um décimo do total, segundo o economista.
Para o economista do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), Vaner Corrêa, se o Brasil ampliar a exploração mineral e consolidar sua cadeia nuclear, pode se tornar fornecedor relevante de urânio, atrair investimentos estrangeiros no setor energético e mineral, e participar da cadeia global da transição energética e da economia digital.
Fonte sustentável
1. Demanda por energia nuclear no mundo
O renascimento do setor nuclear tem chamado atenção de investidores para a commodity usada na geração atômica: o urânio.
A China está construindo uma enorme frota de novas usinas nucleares, enquanto, nos Estados Unidos, diversas grandes empresas de tecnologia, como Meta, Microsoft, Google e Amazon, têm anunciado acordos com geradoras nucleares para abastecer a demanda de data centers de Inteligência Artificial (IA).
A energia nuclear acaba se tornando a fonte mais sustentável e atrativa para essas empresas, pois não emite dióxido de carbono na atmosfera, um dos principais causadores do efeito estufa.
2. Expansão recorde até 2050
Por causa das IAs, a energia nuclear deve ter expansão recorde até 2050. A Associação Nuclear Mundial apresentou o relatório “World Nuclear Outlook”, apontando que os planos já anunciados por governos podem levar a capacidade nuclear global a cerca de 1.446 gigawatts até 2050.
Atualmente, a soma de toda a potência dos reatores em operação está na faixa de 370 a 380 gigawatts elétricos (GW), segundo dados de agências internacionais e relatórios especializados.
Segundo o relatório, mais de 50 países estão avançando com projetos nucleares, seja estendendo a vida útil de usinas antigas, seja construindo novos reatores de grande porte ou apostando nos pequenos reatores modulares, os chamados SMRs, vendidos como mais rápidos de instalar e mais flexíveis para diferentes regiões.
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