Estado tem empregados que nunca pisaram na empresa
São pessoas que foram selecionadas pela internet para trabalhar de casa e sequer precisaram ir à sede da empresa
Diversos profissionais nunca chegaram a ir ao próprio local de trabalho. São pessoas que foram selecionadas pela internet para trabalhar de casa e sequer precisaram ir à sede da empresa.
Esse é o caso da Ani Caroline Santos, de 21 anos. A moradora da Serra é formada em Gestão de Recursos Humanos e em 2020, quando estava desempregada, resolveu mudar de área e foi contratada por uma empresa de tecnologia com sede em São Paulo.
“Nunca fui até a sede, tudo remoto mesmo. A experiência de trabalhar remoto é excelente, poder conciliar faculdade e trabalho é bem melhor. A empresa tem uma cultura muito boa, a comunicação de todos é muito aberta”, relata.
Ani disse que tomou conhecimento da vaga por meio de uma rede social de cunho profissional, o que deixou seus pais bastante desconfiados. “Meus pais só acreditaram quando chegou notebook e tudo com nome da empresa”.
Após ser contratada, ela fez cursos na área e atualmente trabalha como Analista de Qualidade de Software.
O mesmo aconteceu com João Marcos de Oliveira, de 28 anos. Durante a pandemia, o morador da Serra trancou o curso de Psicologia e resolveu fazer alguns cursos online, entre eles para UX Designer, que atua na experiência de interface dos usuários de internet.
Ele se candidatou a uma vaga na mesma rede social utilizada por Ani Carolina e hoje trabalha remotamente para uma empresa estadunidense.
Vilas para os nômades digitais
Outra consequência do home office foi o surgimento de comunidades voltadas a servir de moradia e turismo para os trabalhadores do home office. Sem a necessidade de estar diariamente na empresa, surgiu um nicho de trabalhadores: os nômades digitais. É assim que são chamados os viajantes e trabalhadores remotos.
Trata-se de um grupo de profissionais que usam a tecnologia para trabalhar, enquanto se deslocam pelo mundo. Uma vez que podem trabalhar de qualquer lugar, essas pessoas acabam escolhendo por fazer do mundo sua casa. De olho neles, foram criadas comunidades em determinadas regiões visando reunir esse grupo. Já há propostas de vilas no Nordeste do País e em nações europeias, como Portugal, especificamente a Ilha da Madeira.
“O flexpatriado é aquele que passa seis meses em algum lugar e depois muda. Essa pessoa busca constantemente oportunidades. Ela gosta de mudanças. Alguns países têm facilitado a entrada desses profissionais, como Islândia, Tailândia e Brasil”, explicou o professor da Fucape e especialista em Carreiras, Identidades e Diversidade nas Organizações, Bruno Felix.
Ele explicou que esses profissionais movimentam a economia, pois alugam moradias, consomem e mobilizam o turismo. “Eles são disputados porque são profissionais altamente qualificados”.
O presidente do Conselho Estadual de Turismo (Contures), Fernando Otávio Campos, vê uma oportunidade. “O Espírito Santo, com sua qualidade de vida e o 5G, pode também ser um destino destes trabalhadores online viajantes.”
Mudança na legislação trabalhista
Reinvenção dos imóveis no pós-pandemia
Com dificuldade de alugar imóveis comerciais, a alternativa vista por muitos proprietários foi dar uma nova destinação às salas ociosas.
Salas e prédios passaram por reformas estruturais e regimentais visando alterar a destinação desses espaços.
Dificuldades
Ocorre que a mudança de regime desses imóveis não é algo simples, isso porque é necessário a concordância de condôminos e de órgãos municipais.
Lei muda para dar facilidade
Em julho, o presidente Jair Bolsonaro sancionou uma lei que visava dar maior facilidade no processo de mudança de regime de imóveis.
Antes: era necessário o apoio unânime de todos os condôminos para permitir a alteração na convenção de condomínio.
Agora: permite alterar a destinação de um edifício ou unidade residencial para comercial ou vice-versa, pelo voto de dois terços dos condôminos.
Nômades digitais
É como são chamados os trabalhadores que usam a tecnologia para exercer a profissão enquanto se deslocam pelo mundo.
Essa classe de trabalhadores sem moradia fixa só é possível graças ao advento do home office.
Segundo o professor universitário e especialista em carreiras Bruno Felix, esses profissionais costumam ser altamente qualificados e são muito requisitados.
Comunidades de nômades digitais
Com interesse nesse público, diversas iniciativas e locais são adaptados para atrair esse tipo de profissional.
Natureza exuberante e boa conexão de internet são os requisitos para atrair esses profissionais.
Análise
"Revolução maior que só home office”
“O esvaziamento das salas comerciais se deve não apenas ao impacto do home office, mas também a mudança para uma economia compartilhada. Isso vem resultando em uma onda.
As pessoas não se preocupam mais em ter coisas. O que antes se alugava ou se vendia, hoje em dia é feito de forma mais partida. As pessoas não fazem mais questão de alugar uma sala comercial inteira. Ou dividem, ou fazem o próprio sistema por hora. Você aluga um espaço a depender da sua necessidade.
Essa coisa de dividir o espaço comercial está cada vez mais comum, numa crescente muito grande. As grandes empresas podem até continuar, mas as pequenas e médias vão adotar essas práticas para se tornarem mais competitivas.
Estamos numa crise e não dá mais para manter um espaço muito grande. É uma revolução muito maior que só o home office. Trata-se de uma utilização eficiente de recursos e a tecnologia nos permitiu isso. É uma adaptação ao mercado digital.”
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