Especialista vê futuro sem apps bancários
Representante das fintechs aposta em pagamentos por realidade virtual e alerta para riscos do crédito sem controle
Novas tecnologias vão facilitar “muito em breve” o acesso e o uso do crédito em bancos, cooperativas e instituições financeiras: como um óculos de realidade virtual que faz o pagamento dialogando com o usuário, sem o uso de aplicativo de celular.
Mas essas evoluções colocam em debate também a saúde financeira da população. Quanto mais fácil o acesso ao crédito, mais riscos do uso descontrolado dessas ferramentas.
O bem-estar financeiro foi tema de um fórum promovido pelo Sicredi no Teatro B32, na Faria Lima, em São Paulo. A reportagem de A Tribuna foi convidada para acompanhar o evento.
A tecnologia e as soluções financeiras podem andar em conjunto com a facilitação do acesso ao crédito, comentou o representante da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintech), Diego Perez.
“Podemos ter um óculos com realidade virtual para qual eu pergunto se compro ou não compro o produto. E ele analisa a minha saúde financeira e diz se eu devo ou não comprar”, aponta.
Para isso seria utilizado o sistema “open finance”, modelo já em atividade no mercado brasileiro, mas com possibilidades amplas de integração com tecnologias ainda não exploradas.
Algumas inovações antes impensadas já fazem parte do sistema financeiro brasileiro, como a portabilidade do crédito, que permite a clientes conseguirem condição melhor em um clique no aplicativo, comentou a diretora executiva da Open Finance Brasil, Ana Abrão.
“Temos hoje uma base de dados gerada de forma padronizada, uma plataforma interoperável. A IA precisa dessas duas coisas para criar tudo o que nós imaginamos. Fintechs, bancos, instituições incumbentes, cooperativas podem criar tudo o que o Open Finance traz de melhor”, disse.
Trabalhar a educação financeira para permitir o uso dessas tecnologias de forma sustentável está no foco das cooperativas de crédito. A Organização das Cooperativas do Brasil (OCB) vai coletar dados dentro dessa temática, afirma a presidente executiva do sistema, Tânia Zanella.
“Estamos trabalhando indicadores que nos mostrem se a educação financeira está surtindo os efeitos esperados. Não temos dúvidas que eles vão sinalizar o que as cooperativas estão fazendo Brasil afora”, comentou.
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