ES: mais de 3.000 voos saíram de Vitória para plataformas de petróleo
Espírito Santo se destaca em um ano como base da aviação offshore e ganha peso fora do eixo do petróleo no País
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Um total de 3.138 voos com destino a plataformas de petróleo partiu de Vitória em 2024, consolidando o Espírito Santo como o único estado fora do Rio de Janeiro com participação relevante na logística aérea offshore no País.
Os dados fazem parte do Programa Macrorregional de Caracterização do Tráfego de Aeronaves (PMCTA), que analisou 45.960 voos na região Sul e Sudeste apenas em 2024.
Do total, as operações realizadas a partir do aeroporto de Vitória representaram 6,8% do tráfego do terminal capixaba, considerando todas as categorias de voo.
No cenário nacional, as bacias de Santos, Campos e Espírito Santo concentraram 94,5% da produção de petróleo e gás, o que reforça a importância da malha aérea de suporte.
Nesse contexto, o Espírito Santo se destaca como elo estratégico fora do eixo fluminense, que concentrou 92,2% das operações, com polos como Campos dos Goytacazes, Macaé e Cabo Frio liderando o volume de voos.
Além da movimentação aérea, o fluxo de trabalhadores da indústria offshore gera impactos diretos em outros setores da economia, como a hotelaria.
A demanda por hospedagem é constante e especializada, segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Hotéis no Espírito Santo (ABIH-ES), Fernando Otávio Campo.
“Esse movimento não é novo. Ele demanda ocupação hoteleira porque os trabalhadores precisam chegar antes do embarque e, às vezes, há adiamentos. Além disso, quando retornam das plataformas, permanecem mais alguns dias em preparação antes de seguir viagem”, explica.
De acordo com ele, trata-se de um público que permanece mais tempo nos hotéis e exige uma estrutura diferenciada.
“Não é qualquer hotel que atende esse tipo de serviço. É um trabalho específico, que envolve alimentação e logística diferenciada, mas é um cliente importante para o setor”, afirma.
A demanda se espalha por diferentes regiões do Estado, com destaque para a Grande Vitória e municípios de outras regiões, como São Mateus, reforçando o alcance econômico da atividade petrolífera no Espírito Santo.
Os dados da pesquisa
Potencial do setor de petróleo no Espírito Santo
Pesquisa
O Programa Macrorregional de Caracterização do Tráfego de Aeronaves (PMCT) é uma condicionante do Licenciamento Ambiental Federal conduzido pelo Ibama, financiado pela Petrobras.
Ele monitora os voos de suporte logístico às atividades offshore na região costeira do Sul e Sudeste do Brasil, abrangendo os estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Malha aérea regional
Em 2024, foram registrados 45.960 voos offshore nos estados do Sul e Sudeste. Esse volume faz parte de um total de 137.209 operações analisadas entre 2022 e 2024.
A atividade atende a empreendimentos de dez empresas operadoras, evidenciando a complexidade e a integração da cadeia logística aérea no País.
Papel estratégico
Fora do eixo fluminense, o aeroporto de Vitória aparece como a principal base de apoio, com 3.138 voos registrados em 2024.
Esse desempenho coloca o Espírito Santo em posição de destaque na operação. No contexto do terminal capixaba, essas operações representam 6,8% de todos os voos.
Concentração nacional
As bacias de Santos, Campos e Espírito Santo concentraram 94,5% da produção nacional de petróleo e gás em 2024, o que exige uma robusta malha aérea de suporte, de acordo com a pesquisa.
Essa operação envolve bases distribuídas principalmente na região Sudeste. Nesse cenário, o Rio de Janeiro lidera com 92,2% dos voos de apoio logístico.
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