Economia capixaba cresce pelo terceiro ano seguido
Resultado capixaba em 2025 foi superior à média do País, puxado por minério de ferro e produção de petróleo, além da agropecuária
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A economia do Espírito Santo em 2025 manteve o ritmo dos últimos anos e apresentou crescimento pelo terceiro ano consecutivo, segundo dados apresentados ontem pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes).
O crescimento em relação ao ano anterior foi de 3,2%, superando a variação do Brasil no período, que foi de 2,3%. Todos os segmentos contribuíram positivamente para o resultado de 2025, com destaque para a agropecuária, que avançou 18,6%, seguida pela indústria, com alta de 6,1%, e pelo setor de serviços, que cresceu 1,2%.
O bom desempenho da indústria do ES chama atenção quando comparado ao número nacional, que foi de apenas 1,4%. Os dados da Findes mostram que essa performance do Espírito Santo ocorreu por conta do setor extrativo, que cresceu 18,6% no ano no ES.
As duas atividades que compõem o setor tiveram crescimento no ano: a pelotização de minério de ferro cresceu 7,6%, e a produção de petróleo e gás natural subiu 26,8%. Já o desempenho da agropecuária do Espírito Santo foi impactado positivamente pela safra do café conilon, pela pimenta-do-reino, cacau e o tomate.
“A boa colheita de café conilon compensou os efeitos da bienalidade negativa esperada para o arábica. A expansão do conilon foi favorecida pelo regime de chuvas no Norte do Estado, que favoreceu a formação de frutos entre dezembro de 2024 e fevereiro do ano passado”, comentou a economista-chefe da Findes, Marília Silva.
Na avaliação dela, o resultado de 2025 deve ser interpretado à luz de um ambiente global mais volátil, com impactos diretos sobre fluxos financeiros e preços de commodities.
“Foi um ano bastante turbulento, com instabilidade internacional, conflitos geopolíticos e mudanças nas relações comerciais, o que gerou insegurança e maior busca por ativos mais seguros”.
Segundo ela, a valorização de ativos como o ouro ao longo do período é um indicativo desse movimento global de aversão ao risco.
Além disso, fatores como a política comercial dos EUA, com revisão de tarifas, e a desaceleração da economia chinesa contribuíram para um cenário mais incerto.
Os números
3,2% cresceu a economia capixaba
2,3% cresceu a economia brasileira
Previsão de nova alta para 2026
A Findes projeta que o Espírito Santo mantenha crescimento acima da média nacional em 2026, apesar das incertezas geopolíticas e dos juros elevados. A economista-chefe da entidade, Marília Silva, afirma que o desempenho dependerá do comportamento de EUA e China, principais parceiros comerciais, e do mercado de petróleo.
Segundo ela, os conflitos geopolíticos podem elevar o valor das exportações, mas também encarecer insumos industriais. No Espírito Santo, setores relevantes devem ter desempenho distinto em 2026, como petróleo, mineração e cafeicultura.
A produção de petróleo pode crescer, enquanto a Samarco não deve repetir o avanço de 2025. No café, a bienalidade positiva tende a ser mais intensa no arábica, que tem menor peso na produção local.
No médio prazo, o presidente da Findes, Paulo Baraona, afirma que há mais de R$ 100 bilhões em investimentos previstos para 5 anos no Espírito Santo, já em execução. Ele cita mais de R$ 1 bi em obras licitadas na BR-101, a expansão do saneamento pela Cesan em mais de 40 municípios e a chegada da GWM.
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