Dobrar a roupa e arrumar a cama: robôs que andam e ajudam em casa chegam às lojas
Há modelos a partir de R$ 18 mil no Brasil; versões avançadas dobram roupas, arrumam camas e põem louça na máquina
Novos robôs começam a ganhar funções domésticas mais avançadas do que as dos já conhecidos aspiradores automáticos. Há modelos que andam pela casa, reconhecem e manipulam objetos, recolhem roupas, dobram peças, arrumam camas, colocam louça na máquina e interagem com pessoas.
Outros já são usados ou preparados para trabalhar em lojas, empresas e ambientes industriais. No Brasil, já há modelos à venda por cerca de R$ 18 mil.
Um desses casos é o Neo, da 1X. O humanoide é vendido por US$ 20 mil (R$ 100.200) e é apresentado pela empresa como capaz de realizar uma série de tarefas domésticas, como guardar louça, dobrar roupas, organizar espaços e limpar ambientes, além de fazer companhia.
Segundo a fabricante, os primeiros robôs serão enviados aos compradores até o fim deste ano.
No Brasil, por enquanto, quem pode ajudar nas tarefas domésticas limpando a casa e recolhendo pequenos objetos do caminho com um braço mecânico é um aspirador de pó: o Roborock Saros Z70, que custa R$ 18.590. Para 2027, há expectativa de comercialização do cão-robô Argos, que pode atuar como companhia e entretenimento.
Por outro lado, o comércio de robôs voltados para marketing, atendimento, segurança e indústria já está mais avançado no País. É possível comprar ou alugar modelos humanoides e quadrúpedes, como o R1 e o Go2 Pro.
“Hoje temos humanoides, mas temos também robôs de limpeza, de assepsia hospitalar, cachorro para diversão e cachorro para patrulhamento, além dos robôs específicos”, explica Artur Mainardi, CEO da Humanoids Brasil, empresa que atua há mais de 15 anos no mercado.
Segundo Artur, para quem tem poder de compra, já é possível adquirir diferentes tipos de robôs no Brasil, desde modelos similares aos humanos, que podem fazer companhia, até equipamentos capazes de auxiliar em tarefas domésticas.
Em São Francisco, nos EUA, robôs podem ser alugados para limpar uma casa por US$ 60 (R$ 300) a hora. Enquanto isso, em Wuhan, na China, uma empresa quer enviar robôs gratuitamente para 100 residências para testar suas habilidades domésticas.
O mundo, aos poucos, está mudando. Embora a maioria dos robôs destinados às casas ainda esteja na fase inicial, é possível que, dentro de alguns anos, chegar em casa e encontrar um robô fazendo as tarefas domésticas vire motivo para um daqueles “papos de velho”: “No meu tempo, era eu que limpava a casa...”
Utilização ainda é limitada no Estado
Especialistas consultados pela reportagem apontam três tipos principais de clientes: universidades e pesquisadores, que compram robôs para estudos; profissionais de eventos e marketing, que usam os equipamentos em ativações de marcas e para entreter o público; e empresas, que buscam máquinas para executar tarefas específicas.
Sobre esse último caso, A Tribuna noticiou, no início deste mês, o caso de uma padaria na Serra cujo dono, Rômulo Pereira, comprou um robô para atuar como uma espécie de garçom. O caso, porém, não é isolado. Há registros de robôs no Estado também no Sesi e em eventos realizados pela Petrobras e pelo governo estadual.
A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) também tem o seu: o Prometheus, adquirido pelo Laboratório de Computação de Alto Desempenho (LCAD) no primeiro semestre de 2025, por cerca de US$ 45 mil (R$ 225 mil). Coordenado pelo professor Alberto Ferreira de Souza, o laboratório utiliza o robô em pesquisas sobre Inteligência Artificial.
A máquina também serve como ferramenta para compreender o funcionamento do cérebro humano. Para Alberto, o treinamento de sistemas de IA com grandes volumes de vídeos pode acelerar o desenvolvimento de robôs capazes de realizar tarefas domésticas.
Tendência é de popularização e queda de preços no futuro
Por enquanto, ter um robô humanoide em casa ainda está longe da realidade da maioria dos brasileiros. Mas os preços já começam a cair.
Segundo Rarison Santos, fundador da Premier Drones, os primeiros equipamentos que ele comercializou, no ano passado, custavam cerca de R$ 180 mil.
Hoje, já é possível encontrar modelos básicos por aproximadamente R$ 100 mil, como o R1. “As ferramentas estão se tornando mais acessíveis no Brasil”, afirma.
Para Santos, a próxima geração de robôs que chegará ao País será para funções de segurança, como patrulhamento. A avaliação dele é que, em cerca de cinco anos, alguns brasileiros já terão robôs para fazer tarefas domésticas.
“Não será uma realidade para todos, mas para muita gente. O humanoide já é uma necessidade porque o mercado já está vendo, e os Estados Unidos já os têm para venda. A grande dificuldade hoje é o preço”, ressalta.
Para Valon Oliveira, gestor comercial da Robotec Soluções, a redução dos preços deve passar primeiro pela expansão do uso industrial. “Vemos um movimento, principalmente fora do Brasil, de colocar humanoides em indústrias. Quando isso efetivamente acontecer e ganhar escala, o custo vai reduzir. Aí ficará muito mais acessível para a casa”.
Hoje, segundo Oliveira, um robô humanoide capaz de executar uma ação de forma autônoma em uma indústria pode custar entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões, dependendo da configuração.
“O cara vai investir de R$ 2 milhões a 3 milhões sem ter garantia de que de fato o robô vai conseguir. Isso por quê? Uma questão de limitação de hardware, de peso, autonomia de bateria. Tudo isso dificulta a implementação”.
Além disso, há o valor de desenvolvimento para o primeiro. “Se eu compro o equipamento e coloco na indústria, ele não faz nada. É preciso ter o desenvolvimento. E o que seria isso? Fazer ele aprender o ambiente, entender o que precisa ser feito... Pode custar entre R$ 50 mil e R$ 1 milhão”.
Porém, diz que os fabricantes estão evoluindo rápido: o que antes levava 6 anos, hoje demora 2. A expectativa é de equipamentos mais robustos em 3 anos.
Embora os preços sejam um obstáculo, a venda cresce. A Premier Drones fez sua primeira este ano. Ainda em 2026, deve vender, em média, 10. A expectativa é triplicar esse número no ano que vem.
O mercado mundial também avança. No primeiro semestre, as remessas globais de robôs humanoides se aproximaram de 25 mil unidades, alta de 432,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O mercado movimentou mais de US$ 740 milhões (R$ 3,7 bi), segundo a consultoria IDC.
A empresa prevê que as remessas globais ultrapassem 750 mil unidades até 2030.
Confira alguns modelos
1. Neo Home Robot
- Robô humanoide doméstico projetado para realizar tarefas da casa, como guardar louça, organizar objetos, arrumar espaços e limpar. Também pode dobrar roupas e executar outras atividades domésticas programadas pelo usuário;
- Usa inteligência artificial para aprender novas tarefas e, quando não domina uma atividade, pode receber orientação remota de um especialista da 1X;
- Também conversa por voz, navega pela casa e reconhece informações visuais. A empresa informa autonomia de até quatro horas e capacidade para carregar até 25 kg;
- Preço: US$ 20 mil na compra (R$ 100.238) ou US$ 499 por mês (R$ 2.502), com antecipação de US$ 200 (R$ 1.002);
- Encomenda: Previsão de início das entregas nos Estados Unidos ainda este ano;
- Destaque: no chamado modo Expert, um especialista da 1X pode orientar o robô remotamente em tarefas que ele ainda não sabe executar.
2. Roborock Saros Z70
- Aspirador robô com um braço mecânico de cinco eixos. Além de aspirar e passar pano, identifica objetos no chão e pode recolher itens como meias, sandálias, lenços e toalhas de até 300 gramas, colocando-os em locais programados;
- Também reconhece obstáculos, atravessa desníveis de até 4 cm e faz praticamente sozinho a manutenção da limpeza, com lavagem e secagem do esfregão, reposição de água, detergente e esvaziamento do pó;
- Preço: R$ 18.590 na Amazon.
3. Argos
- Cão-robô voltado à interação, entretenimento e assistência. Responde a comandos de voz ou toque, e pode correr, sentar, deitar e dar a pata, além de carregar pequenos objetos de até 5 kg e se movimentar por terrenos com grama, cascalho, rampas e degraus;
- Também possui câmera para monitoramento remoto e pode iluminar o caminho no escuro;
- No Estado, a previsão é que unidades cheguem às concessionárias entre novembro e dezembro, inicialmente para demonstração; a comercialização é esperada para 2027;
- Preço: ainda não informado.
4. H2
- Desenvolvido para aplicações profissionais e industriais, podendo receber diferentes modelos de Inteligência Artificial e executar movimentos e tarefas em ambientes variados. A versão comercial conta com câmeras, microfones, Wi-Fi 6. Tem 1,80 metro e cerca de 70 kg, com 31 graus de liberdade;
- Preço: US$ 29.900 (R$ 149.784) no site da Unitree, sem impostos e frete;
- A Humanoide Brasil realiza importação, homologação, implantação e manutenção, com peças de reposição nacionais. Há opções de compra, locação mensal e modelo “Try & Buy”, com teste de 1 a 2 meses.
5. Go2 Pro
- É um verdadeiro “cão-robô”: anda, corre, pula e realiza movimentos programados, podendo ser controlado pelo celular ou controle remoto. Equipado com câmeras, Inteligência Artificial e sensores a laser que mapeiam o ambiente, o robô consegue identificar obstáculos e navegar de forma autônoma;
- Também pode receber comandos e comportamentos personalizados, o que permite aplicações que vão de pesquisa e educação a entretenimento e criação de conteúdo;
- No Brasil, o modelo é vendido a partir de R$ 42 mil pela Premier Drones.
6. R1
- Compacto, com cerca de 29 kg e até 1,23 metro de altura, foi desenvolvido principalmente para pesquisa, educação e desenvolvimento de aplicações em robótica e Inteligência Artificial;
- Tem IA, sensores, interação por voz, percepção do ambiente e arquitetura aberta para programação e personalização;
- Pode ser configurado para necessidades específicas. Dependendo da configuração, possui 20 a 26 graus de liberdade e pode realizar movimentos semelhantes aos humanos;
- Preço: a partir de R$ 103 mil na Premier Drone.
7. Unitree EDU
- Focado em universidades, laboratórios e para empresas pesquisarem e criarem aplicações de robótica e Inteligência Artificial. Tem 24 graus de liberdade, visão binocular e braços capazes de manipular objetos de até 2 kg. A plataforma é aberta à programação, permitindo desenvolver movimentos, visão computacional, locomoção e comportamentos próprios;
- Preço: a partir de R$ 170 mil.
8. Flourish 1
- Robô doméstico desenvolvido para realizar tarefas repetitivas e reduzir a carga de trabalho dentro de casa. O usuário pode ensinar novas atividades pelo celular, demonstrando fisicamente como a tarefa deve ser feita, sem necessidade de programação;
- Depois, o robô pode repetir e agendar tarefas como guardar roupas, sapatos e brinquedos, colocar louça na lava-louças, limpar mesas, regar plantas, buscar objetos, arrumar o apartamento e limpar a caixa de areia do gato;
- Preço: US$ 3.555 (R$ 17,8 mil), com depósito de US$ 1.555 (R$ 7,8 mil);
- Encomenda: vendas começaram em 29 de setembro no site da empresa, limitadas a 50 unidades. Previsão de envio em dezembro de 2026;
- Atenção: a própria empresa classifica o produto como experimental. Leia os termos de venda antes de adquirir.
9. Mornine
- Robô humanoide de 1,67 metro e 70 kg para atendimento e interação com clientes. Pode conversar por voz, reconhecer pessoas e objetos, caminhar, cumprimentar visitantes, apresentar produtos e orientar o consumidor. Usa câmeras e Inteligência Artificial para perceber o ambiente e navegar de forma autônoma;
- No Brasil, será inicialmente testado nas concessionárias da Omoda & Jaecoo, antes de uma possível comercialização. É esperado que chegue ao Brasil entre novembro e dezembro.
10. Pepper
- Voltado principalmente para atendimento, recepção e interação com o público. Tem tela integrada e recursos de conversação, podendo orientar visitantes, responder perguntas, apresentar informações e conduzir pessoas até determinados serviços;
- Já foi usado em bancos, shoppings e aeroportos para atendimento e orientação de clientes e passageiros;
- Preço: R$ 260 mil, em média, segundo a Humanoide Brasil;
- Entrega: 30 dias, no máximo.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários