Desafio com desigualdade entre grandes e médias empresas
Especialista alerta para distância entre grandes, médias e pequenas empresas; Sicredi Serrana cita sistema que agiliza crédito e assistente TheoGPT
Uma desigualdade grande no uso da inteligência artificial (IA) entre empresas de pequeno e médio porte e as de grande porte se transformou em um desafio de sobrevivência, analisa o especialista em inovação Paulo Grigorovski, palestrante do evento Em Pratos Limpos, promovido pela Rede Tribuna.
Essa situação tende a sufocar mercados e provocar alterações significativas. Enquanto grandes empresas saíram em um ano de 38% para 50% delas usando IA, as médias e as pequenas não estão avançando nessa mesma velocidade, aponta a pesquisa TIC Empresas 2025, lançada em junho pelo Cetic.br.
“E (elas) ainda estão em patamares baixos. Médias em 38% e pequenas em 15%, tendo saído de 10% no último ano para 15%, mas ainda em patamares muito baixos. Então a gente está tendo uma desigualdade competitiva se formando entre as empresas que aprendem a usar a IA”, comenta.
O risco, segundo Grigorovski, é de que as pequenas e médias empresas fiquem para trás e ampliem uma distância em produtividade, resultando em menos vendas e provocando redução de investimentos e demissões.
A desigualdade na utilização da IA também é vista em setores do mercado. O especialista aponta que setores de informação e comunicação já têm 49% das empresas utilizando a inteligência artificial. Já no setor de comércio e serviços a taxa está entre 19% e 17%.
Atendimento mais rápido
Um sistema que faz uma leitura visual de documentos e escolhe conceder ou não um crédito em consórcio de bens novos — como carro, imóvel ou eletrodoméstico — está agilizando o atendimento e dando mais precisão nas análises de crédito do Sicredi Serrana, conta o diretor-executivo Fabrício Cambruzzi.
Segundo o representante, o sistema aprendeu a reproduzir, com muita precisão, a mesma análise que antes era feita manualmente, e isso já destravou mais de R$ 500 milhões em créditos.
Cambruzzi comenta que um assistente virtual criado pela empresa em 2017 também trouxe números positivos em relação à agilidade de atendimento das solicitações de associados e colaboradores, sem precisar de intervenção humana: “Com o TheoGPT, por exemplo, o tempo gasto buscando informações internas caiu cerca de 30%.”
A cooperativa reforça, no entanto, que a IA não veio para substituir pessoas, e sim para devolver tempo que passa a ser utilizado para fortalecer o atendimento aos clientes. “Relacionamento próximo e humano com os mais de 10 milhões de associados que atendemos”, reforça.
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