Confiança e produção da indústria capixaba crescem no primeiro semestre
Espírito Santo liderou o crescimento industrial do País na primeira metade do ano, e índice empresarial chegou a 50,6 pontos em agosto
A indústria capixaba encerrou o primeiro semestre com aumento da produção e na liderança do crescimento industrial do País. O bom desempenho veio acompanhado de maior confiança entre os empresários.
Em agosto de 2026, o Índice de Confiança do Empresário Industrial do Espírito Santo (ICEI-ES) voltou a indicar confiança entre os industriais capixabas. Após registrar estabilidade em julho, o indicador avançou 0,6 ponto, ultrapassando a linha divisória de 50,0 pontos que indica confiança ao alcançar 50,6 pontos.
A melhora foi puxada principalmente pela percepção menos negativa dos empresários sobre a situação atual dos negócios. Por outro lado, as expectativas para os próximos seis meses apresentaram leve recuo, mantendo, ainda assim, o indicativo de otimismo.
O índice de condições atuais avançou 3,1 pontos frente a julho, passando de 45,3 para 48,4 pontos. Apesar da melhora, o indicador permaneceu abaixo de 50,0 pontos, indicando que a insatisfação com a situação atual dos negócios ainda persiste, embora de forma menos disseminada.
Já o índice de expectativas recuou 0,7 ponto, alcançando 51,6 pontos. Mesmo com a queda, o indicador permaneceu acima da linha divisória, mostrando otimismo mais moderado dos industriais capixabas para o futuro próximo.
O presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraona, destacou o desempenho da indústria capixaba.
“Encerramos o primeiro semestre liderando o crescimento da produção industrial no País, e a volta da confiança entre os industriais capixabas é mais um sinal positivo para a nossa economia. São resultados que reforçam as boas perspectivas para o Espírito Santo”.
Baraona, porém, ressaltou que o desafio agora é sustentar o ritmo, enfrentar as ameaças que tramitam no Congresso e criar condições para novos avanços, com investimentos em infraestrutura, qualificação, inovação e ambiente de negócios cada vez mais competitivo.
Já o vice-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES), José Carlos Bergamin, observa que depois de meses fracos, a retomada da indústria capixaba mostra resiliência.
“Ainda há cautela diante dos juros, da perspectiva de maior tributação e do endividamento das famílias, mas o empresário começa a entender que ficar parado é mais arriscado do que assumir riscos calculados”.
O que eles dizem
Manter ritmo
“A volta da confiança entre os industriais capixabas é mais um sinal positivo para nossa economia. São resultados que mostram a força da indústria e reforçam as boas perspectivas para o Estado. Mas temos o desafio de sustentar esse ritmo, de enfrentar as ameaças que tramitam no Congresso, e criar condições para avançarmos mais, com investimentos em infraestrutura, qualificação e ambiente de negócios cada vez mais competitivo”.
Fatores sazonais
“Esse resultado, que demonstra resiliência, tem também um fator sazonal natural que é o aumento da demanda do segundo semestre e o começo da formação de estoques para o fim de ano, o comércio já começa a antecipar encomendas. Claro que ainda há cautela, o cenário segue difícil com juros altos, perspectiva de maior tributação e famílias endividadas com poder de compra comprometido, e o horizonte de 2027 ainda é incerto”.
Mão de obra
“Os números mais recentes mostram um momento bastante positivo para a economia capixaba, mas também revelam um desafio que tende a ganhar cada vez mais importância. De um lado, temos crescimento da produção industrial e recuperação da confiança dos empresários. De outro, começam a aparecer restrições relacionadas à capacidade de atender a essa expansão, principalmente pela falta de mão de obra qualificada”.
Cursos de formação
“A procura por cursos de formação e qualificação profissional vem diminuindo. Investir em capacitação, desenvolvimento e retenção de pessoas deixou de ser apenas uma política de RH. É necessário fazer com que jovens, que estão entrando no mercado, enxerguem como oportunidade as profissões que compõem o quadro de colaboradores em uma obra, só assim conseguiremos recrutar pessoas, prepará-las e torná-las aptas”.
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