Com 4 mil empresas no ES, mercado pet cresce e tem até sorvete para cachorro
Setor adapta produtos como bebidas e doces, de consumo humano, para os animais
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O crescimento do mercado pet no Brasil tem sido acompanhado por uma série de produtos humanos adaptados para os animais: bolos, biscoitos, cerveja e sorvetes são alguns dos exemplos de produtos que ganharam nova roupagem para agradar cachorros e gatos.
A veterinária especialista em nutrologia animal Mariana Porsani explica que as versões normais desses alimentos não podem ser consumidas por animais, mas que as versões voltadas para o mercado pet são feitas de forma diferente, justamente para se adequar à saúde dos bichos.
Até mesmo a regulamentação dos produtos pets é feita por um órgão diferente: enquanto os alimentos para consumo humano são regularizados pela Anvisa, tal procedimento, no caso de alimentos para cachorros, gatos e outros animais de estimação, é feito pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Porsani exemplifica citando os riscos de uma cerveja normal para os cachorros: “Cães têm uma capacidade pequena de metabolização do álcool. Isso pode provocar intoxicação e pode levar o animal até a morte. Além disso, a cerveja tem carbonatados que podem causar desconfortos gastrointestinais”, conta.
Por isso, as “cervejas para cachorro” são feitas sem álcool e outros ingredientes que podem fazer mal aos animais. Mas atenção: assim como para os humanos, a cerveja pet exige moderação, já que seu excesso de consumo pode resultar em ganho de peso.
Já no caso de sorvetes e bolos, a adaptação também altera ingredientes, como é o caso do açúcar. “As versões para animais são feitas sem açúcar, sem lactose e sem outros ingredientes que podem fazer mal aos animais”, explicou, em nota, a Petz, rede brasileira de lojas de produtos para animais de estimação.
O crescimento desse setor é comprovado por números recentes do Sebrae, que mostram um aumento de 22% no número de pequenos negócios voltados para esse ramo.
No Espírito Santo, dados do DataSebrae mostram que o aumento foi de 53%, subindo de 2.724 empresas do setor, em 2024, para 4.176, sendo que mais da metade delas (2.493) são micro-empreendedores.
Segundo a economista Jéssica Faciroli, esse crescimento está relacionado ao fato de os animais de estimação passarem a ocupar um espaço emocional antes reservado exclusivamente aos filhos, formando o que chamam de “família multiespécie”.
Extra nas vendas
A paixão por cachorros fez com que o dono da sorveteria Frappê, Felipe Gaburro, decidisse investir em um produto para pets, não como produto principal de seu estabelecimento, mas como um “extra”.
Os produtos vêm de uma empresa de São Paulo especializada em alimentos pets e são produzidos sem lactose e açúcar.
“Atrai o interesse das pessoas e os cães adoram, especialmente no verão. Em breve, vamos vender uma versão específica para gatos, com sabores de salmão, atum e peixe branco”, conta.
Investimento que já se pagou
Após trabalhar 17 anos como dentista, Giselle Machado de Andrade, de 41 anos, resolveu mudar de área: ela atua como franqueada da Padaria Pet em Vila Velha, onde vende produtos como bolos, cervejas, pipoca e sorvetes adaptados para cachorros e com aprovação do Ministério da Agricultura.
“O investimento já se pagou, e agora o próximo passo é abrir minha própria loja física, porque hoje estou trabalhando da minha própria casa”, afirma.
Seguro para animais é aposta para 2026
O Bradesco Seguros irá entrar no mercado de seguros pet neste ano. “O segmento tem um potencial muito grande. Há 70 milhões de pets no Brasil e são mais de R$ 80 milhões de gastos anuais”, afirmou Ney Dias, diretor da Bradesco Seguros.
Ivan Gontijo, presidente do grupo segurador, também ponderou a possibilidade de, no futuro, haver assistência pet acoplada a outros seguros, como o de vida.
Alguns produtos adaptados para pets
Bolos e biscoitos
As versões para pets são feitas sem açúcar, adoçantes, chocolate e lactose. Tendem a ser feitas utilizando ingredientes naturais, como farinha de aveia ou de arroz, batata-doce, banana, cenoura, iogurte natural sem lactose e alfarroba, que substitui o chocolate.
Cervejas
O fígado dos animais não consegue metabolizar o álcool, o que pode causar sérios problemas ao sistema nervoso dos cachorros e gatos, por exemplo.
A cerveja pet não tem álcool, sendo feita com água, malte e suco de carne, frango ou peixe.
Sorvetes e picolés
Os produtos humanos estão repletos de açúcar, gordura e leite, que podem fazer mal tanto a gatos quanto a cachorros.
As versões pets são feitas sem esses ingredientes e com frutas permitidas para esses animais, sem conservantes.
Vinhos
A versão para humanos pode causar sérias intoxicações graças à uva e ao álcool em sua composição, dois ingredientes maléficos para os cães.
O vinho para cachorro, por sua vez, é preparado com corante natural de beterraba, aroma de vinho e carne.
Panetone
A versão para humanos é prejudicial para os animais porque as frutas cristalizadas são tóxicas para os pets, além do açúcar também ser um agravante.
Há versões para cachorro feitas com farinha integral, carne e frutas permitidas para cães.
Pizza
As pizzas adaptadas para cachorro são preparadas com ingredientes naturais e sem conservantes.
O recheio costuma ser de frango ou carne, enquanto a farinha normalmente é preparada a partir de aveia e farinha de arroz.
Alfarroba substitui chocolate
O chocolate tradicional é um dos alimentos mais tóxicos para cães. O doce possui dois componentes que podem até matar os animais: cafeína e teobromina. Uma alternativa é a alfarroba, uma vagem comestível de cor marrom escuro, fruto da alfarrobeira, que tem sabor semelhante.
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