Clientes do Will Bank relatam preocupação com dinheiro preso em banco falido
Liquidação trava recursos, afeta clientes e leva comerciante a ficar com mais de 50 mil reais bloqueados
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A liquidação do Will Bank junto ao Banco Master, em janeiro, virou um drama para uma série de clientes no Espírito Santo. Com dinheiro travado na fintech, usuários do Estado vivem aperto e convivem com o risco de ficar com as contas em atraso.
Um comerciante de 42 anos, que mora na Grande São Pedro, onde possui uma loja de roupas, calçados e acessórios, teve de usar o dinheiro reserva após ficar com mais de R$ 50 mil “presos” no banco digital, depois da “falência”.
Ele precisou até da ajuda de comerciantes parceiros para conseguir repor o estoque, já que costuma comprar os produtos à vista.
“Eu acordei com minha esposa falando que foi liquidado o banco e que travaram todas as transações. Peguei outros fundos meus e tive que buscar investir para repor o estoque”, contou.
Apesar da situação dramática, o comerciante — que preferiu não se identificar — explicou que precisou se manter firme para não transmitir a situação para o núcleo familiar, que também tinha dinheiro no banco digital.
“Eu tenho seis filhos. Não pude repassar para eles. Eu que sou o empresário, o cabeça. Não posso deixar espelhar neles. Mas não tem como a pessoa não ficar traumatizada e com pé atrás”, relata.
Agora, o empresário afirma que pretende evitar bancos digitais, aplicando recursos apenas nas instituições tradicionais. “Já não colocava muita fé em bancos virtuais. Hoje em dia é só Caixa Econômica, Itaú, Santander”, disse.
O economista Eduardo Araújo relata que uma cliente, para quem prestou consultoria financeira, também viveu um drama parecido na instituição financeira digital, mas com aplicações.
“Ela tinha uma aplicação em torno de R$ 180 mil, e ficou com dúvida se os recursos aplicados nesse banco entrariam ou não nesse limite do FGC (Fundo Garantidor de Crédito)”, conta.
A falta de acesso ao dinheiro, no entanto, não trouxe prejuízo, já que o investimento havia sido feito com a previsão de deixar o recurso por um tempo maior.
Agora, o economista conta que a cliente tem feito mais controle de planilhas para garantir que os recursos não fiquem acima do limite do FGC.
“Agora, com a quebra desses dois bancos e considerando os limites, o investidor tem que ter mais cuidado na diversificação, para garantir que não tenha problema”, pontua.
Medo de ficar com o nome sujo
Uma profissional autônoma de 32 anos, moradora de Vitória, passou 20 dias preocupada sobre como pagaria a conta do cartão de crédito do Will Bank para não “sujar” o nome. Ela relata que, ao acessar o aplicativo, apenas aparecia uma mensagem que afirmava a necessidade de pagar a fatura, mesmo com a liquidação do banco.
“Depois de dias, apareceu. Fiquei aliviada. É um cartão que vai fazer falta, porque o limite era muito bom”, afirma.
Entenda
“Falência”
A liquidação extrajudicial do Will Bank pelo Banco Central, em janeiro deste ano, afetou cerca de 12 milhões de clientes no Brasil, a maioria (60%) de baixa renda no Nordeste.
Milhões de correntistas tiveram seus saldos bloqueados, sem previsão de acesso, impactando despesas essenciais como alimentação e moradia.
O banco operava sob Regime Especial desde novembro de 2025, e sua liquidação foi decretada após a falha na venda e acúmulo de dívidas — seguindo o mesmo fim do Banco Master, instituição da qual fazia parte.
Restituição
Enquanto investimentos em CDBs e LCIs/LCAs têm cobertura do FGC, contas de pagamento — que são a modalidade usada pela maioria das fintechs — não.
Os valores, no entanto, devem ser restituídos integralmente pelo Banco Central, já que ficam retidos pela instituição assim que o dinheiro é colocado no banco.
E agora?
A devolução dos recursos para clientes de contas de pagamento depende da finalização da lista de credores pelo liquidante, sem prazo definido, segundo o FGC.
O banco ainda existe?
Não. Após a liquidação, as operações da instituição são interrompidas. Contas, transferências, cartões e novos contratos deixam de funcionar. Um liquidante é nomeado pelo Banco Central para levantar bens, dívidas e créditos, vender ativos e organizar o pagamento dos credores conforme a ordem prevista em lei.
E a conta do cartão?
A liquidação não elimina débitos dos clientes. Empréstimos, financiamentos e faturas seguem válidos. O que muda é a administração dos contratos, que passa a ser do liquidante.
Fontes: G1 e Agência Brasil
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