CEO's: salário de chefes cresce 20 vezes mais, diz pesquisa
CEOs das maiores empresas do mundo tiveram aumento real de 11% em seus ganhos. Remuneração média cresceu 0,5%
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A diferença salarial entre CEOs e funcionários vem crescendo. Segundo análise da Oxfam e da Confederação Sindical Internacional (CSI), em 2025, os chefes das maiores empresas do mundo tiveram aumento real de 11% em seus ganhos, enquanto a remuneração média dos trabalhadores cresceu 0,5%.
O levantamento, que engloba dados de 1.500 empresas de 33 países, mostra que os CEOs receberam, em média, US$ 8,4 milhões no ano passado, ante US$ 7,6 milhões em 2024. Um trabalhador comum levaria cerca de 490 anos para atingir esse valor.
“Entender essa disparidade só é possível quando trazemos para a frente a dinâmica de concentração de riqueza e a cultura extrativista e colonial ainda presente na sociedade”, afirma Viviana Santiago, diretora-executiva da Oxfam Brasil. “A riqueza, que é produzida coletivamente, acaba sendo apropriada por poucas pessoas num processo de extrema concentração de renda. Assim, tem-se o cenário perfeito para a desigualdade a partir do controle de salários”, completa.
Entre 2019 e 2025, o salário real das pessoas trabalhadoras caiu 12%, enquanto a remuneração real dos CEOs disparou 54%. Também segundo o estudo, a concentração de renda no topo se reflete também nos salários mais altos. Pelo menos quatro CEOs receberam mais de US$ 100 milhões em 2025.
O CEO da Broadcom, Hock Tan, liderou a lista com mais de US$ 205 milhões. Ao todo, os dez executivos mais bem pagos do mundo somaram mais de US$ 1 bilhão. Além disso, a diferença salarial de gênero nas empresas analisadas é, em média, de 16%.
Diante desse cenário, a Oxfam e a CSI defendem medidas como o aumento da tributação sobre grandes fortunas e fortalecimento de direitos trabalhistas.
“Os governos devem limitar a remuneração de CEOs, tributar de forma justa os super-ricos e garantir que salários mínimos sejam atualizados de acordo com a inflação e assegurem uma vida digna”, pontua Amitabh Behar, diretor-executivo da Oxfam Internacional.
A riqueza dos bilionários atingiu níveis recordes em 2025. Em apenas 12 meses, eles ganharam US$ 4 trilhões, elevando sua riqueza para US$ 1,5 trilhão a mais do que a dos 4,1 bilhões de pessoas mais pobres.
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