Cafeicultor capixaba aposta na saúde do solo para conquistar mercado internacional
Produtor de café de Linhares investe em agricultura regenerativa e em estrutura para classificar grãos e buscar o estrangeiro
O cafeicultor Almir Gaburro, de 62 anos, aposta na nutrição do solo para elevar a qualidade dos grãos e conquistar espaço no mercado internacional.
Na Fazenda Nova Esperança, em Linhares, no Norte do Espírito Santo, ele diz produzir cerca de 15 mil sacas de café e tem investido em técnicas de agricultura regenerativa para aprimorar o manejo da lavoura.
Segundo o produtor, análises do solo e das folhas revelaram um problema que não era visível no dia a dia: havia fósforo em abundância na terra, mas o nutriente não aparecia nas folhas.
A descoberta levou à revisão dos cuidados com o cafezal e ao uso de produtos biológicos para favorecer a disponibilidade do fósforo e sua absorção pelas plantas.
Diagnóstico no campo e correção do manejo
“Pode haver adubo no solo, porém ausência nas folhas. Isso indica que o solo não está saudável”, explica Almir.
Ele também afirma que a qualidade da terra depende de outros fatores. “Um solo saudável vai além da nutrição das plantas. Ele precisa ter vida, boa estrutura, capacidade de retenção de água e condições adequadas para o desenvolvimento das raízes”.
O manejo, segundo o cafeicultor, busca preservar recursos e manter condições favoráveis ao desenvolvimento da lavoura, combinando práticas de conservação e monitoramento constante.
Agricultura regenerativa e estrutura para valorizar o café
Na propriedade, que tem 230 hectares de café conilon, o manejo inclui adubos organominerais, preservação da matéria orgânica e irrigação por gotejamento. Utilizado desde 2021, o sistema leva água diretamente à região de maior concentração das raízes.
O cuidado com o solo integra uma nova fase do negócio. Almir conta com equipamentos para classificar os grãos por peso, tamanho e cor na agroindústria da fazenda.
A estrutura faz parte da estratégia para valorizar o café produzido na propriedade e buscar oportunidades de venda fora do Brasil. Segundo o cafeicultor, ainda não há dados que comprovem aumento da produtividade após a mudança no manejo.
Para o engenheiro agrônomo Elídio Torezani, diretor executivo da Hydra Irrigações, acompanhar a nutrição das plantas exige mais do que analisar a terra.
“Não basta saber quanto de determinado nutriente existe no solo. É preciso entender se ele está sendo absorvido pelas plantas. Essa avaliação ajuda o produtor a tomar uma decisão mais precisa e a tempo de evitar prejuízos”, conclui.
Principais pontos do manejo citado pelo produtor:
- Análises de solo e folha para avaliar disponibilidade e absorção de nutrientes
- Uso de produtos biológicos para melhorar a disponibilidade do fósforo
- Adubos organominerais e preservação da matéria orgânica
- Irrigação por gotejamento adotada desde 2021
- Classificação dos grãos por peso, tamanho e cor na agroindústria da fazenda
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