Bitcoin em baixa: risco ou oportunidade de lucrar?
Especialistas veem espaço para recuperação, mas alertam que novas quedas ainda não estão descartadas
A forte queda do bitcoin, que chegou a ser negociado perto de R$ 300 mil na última semana, reacendeu uma dúvida entre investidores: o momento representa uma oportunidade de compra ou o início de uma nova rodada de desvalorização?
A resposta, por enquanto, divide analistas.
Parte do mercado avalia que a principal criptomoeda do mundo entrou em uma faixa historicamente associada a boas oportunidades para quem investe com horizonte de longo prazo.
Segundo especialistas, atualmente apenas 47,5% de toda a oferta de bitcoins está em lucro. Em outras palavras, mais da metade das moedas está abaixo do preço médio pago por seus detentores, situação que, em ciclos anteriores, antecedeu períodos de recuperação.
Esse indicador, porém, não significa que a cotação tenha necessariamente atingido o fundo. A avaliação predominante é que o comportamento da moeda continuará dependendo principalmente do cenário macroeconômico internacional.
Os analistas apontam que a região de US$ 60 mil (R$ 311 mil) tornou-se o principal suporte do bitcoin. Caso a cotação consiga permanecer próxima desse patamar, aumenta a probabilidade de recuperação nas próximas semanas. Por outro lado, um rompimento consistente desse nível pode abrir espaço para uma nova onda de vendas e ampliar as perdas no curto prazo.
O principal fator de atenção continua sendo a política monetária dos Estados Unidos. Se os próximos indicadores econômicos reduzirem a expectativa de manutenção dos juros elevados pelo Federal Reserve (Fed), parte dos recursos pode voltar a migrar para ativos considerados mais arriscados, como as criptomoedas.
Tendência
Até lá, a tendência é de cautela. Especialistas ressaltam que, apesar dos sinais de possível oportunidade para investidores de longo prazo, o ambiente ainda é marcado por elevada volatilidade e por incertezas econômicas.
Assim, quem pretende investir deve considerar que novas oscilações continuam no radar e que a recuperação dependerá não apenas do comportamento do bitcoin, mas também da evolução da economia americana e do retorno do apetite global por risco.
Juros altos e fuga de investidores entre as causas
A queda do bitcoin não foi provocada por um único fator. A principal criptomoeda do mundo passou a sofrer uma combinação de pressões que reduziu o interesse dos investidores por ativos considerados mais arriscados.
O principal motivo é a expectativa de que o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, mantenha os juros elevados por mais tempo para controlar a inflação.
Com aplicações de renda fixa oferecendo retornos maiores, investidores passaram a direcionar recursos para títulos do Tesouro americano e para o dólar, diminuindo a procura por ativos que não geram rendimento, como o bitcoin.
Ao mesmo tempo, a realização de lucros nas ações de empresas ligadas à inteligência artificial aumentou a cautela nos mercados globais. O movimento reduziu o apetite por investimentos de maior risco e atingiu também as criptomoedas.
Outro fator importante foi a saída de recursos dos ETFs de bitcoin, fundos negociados em bolsa que acompanham a criptomoeda.
Apenas na última quarta-feira (24), esses produtos registraram retirada líquida de cerca de US$ 470 milhões, o maior volume desde o início de junho. No acumulado de 30 dias, os resgates se aproximam de US$ 6,5 bilhões.
Pressão
Para analistas, essa retirada de recursos aumenta a pressão sobre os preços porque reduz a demanda institucional pela criptomoeda.
Enquanto persistirem os juros elevados nos Estados Unidos e o fluxo negativo dos ETFs, o mercado deverá continuar sujeito a fortes oscilações. A região dos US$ 60 mil passou a ser vista como o principal suporte do bitcoin.
Se esse patamar for perdido de forma consistente, especialistas avaliam que novas quedas poderão ocorrer no curto prazo.
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