ArcelorMittal tem resultado negativo, mas prevê melhora com queda das importações
De acordo com a empresa, o principal fator de pressão sobre os resultados foi o avanço das importações de aço
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A ArcelorMittal encerrou 2025 com resultado final negativo de R$ 2,2 bilhões, em um cenário pressionado pelo avanço das importações de aço e por tarifas aplicadas pelos Estados Unidos. A empresa afirma, porém, que projeta melhora ao longo de 2026, condicionada à redução das compras externas.
No Espírito Santo, o principal investimento da companhia — o laminador de tiras a frio (LTF) previsto para a unidade de Tubarão, na Serra — segue em andamento e não foi interrompido. O projeto, estimado em cerca de R$ 4 bilhões, está na fase final de estudo de viabilidade e é voltado à produção de aço laminado a frio e galvanizado, insumo utilizado pela indústria automotiva, de eletrodomésticos e da construção civil.
“Desde quando anunciamos que iríamos fazer o estudo de viabilidade, em nenhum momento a gente parou”, afirmou o presidente da ArcelorMittal Brasil, Jorge Oliveira. Segundo ele, a decisão final está diretamente ligada ao comportamento das importações. “A importação não baixou. Isso é ruim para a aprovação final do projeto. Se cair, é fator positivo”, disse.
A expectativa da empresa é que esse movimento comece a se reverter ainda em 2026. “A reversão pode começar no segundo trimestre e se consolidar até o terceiro trimestre”, afirmou o executivo.
Segundo o balanço, a receita líquida — que é o total arrecadado com vendas, já descontados impostos e abatimentos — somou R$ 61,76 bilhões, com recuo de 7,2% em relação a 2024. Já o EBITDA — indicador que mede o resultado operacional da empresa, antes de juros, impostos e despesas financeiras — foi de R$ 8,08 bilhões, queda de 12%.
A produção de aço atingiu 15,14 milhões de toneladas, com redução de 1,3%, e as vendas totalizaram 14,9 milhões de toneladas, baixa de 1,9%.
O resultado final foi impactado pelo reconhecimento contábil de um acordo relacionado à aquisição da Votorantim Siderurgia, no valor de R$ 2,9 bilhões, registrado no resultado financeiro de 2025. Segundo Oliveira, esse efeito não reflete o desempenho operacional. “Excluindo esse efeito, o resultado seria positivo”, afirmou.
De acordo com a empresa, o principal fator de pressão sobre os resultados foi o avanço das importações de aço. Dados do setor indicam que as compras externas de laminados atingiram 5,7 milhões de toneladas em 2025, com alta de 20,5% em relação a 2024 e crescimento de 160% frente à média histórica.
A empresa relaciona a expectativa de melhora às medidas de defesa comercial adotadas pelo governo federal e às que ainda estão em análise. “Já tem ações aprovadas e outras em andamento, e isso deve trazer resultado ao longo do ano”, afirmou Oliveira.
SAIBA MAIS
Resultados de 2025
- Resultado final: R$ -2,2 bilhões
- Receita líquida: R$ 61,76 bilhões
- EBITDA: R$ 8,08 bilhões
- Produção de aço: 15,14 milhões de toneladas
- Vendas: 14,9 milhões de toneladas
Impacto da Votorantim
- Reconhecimento contábil de R$ 2,9 bilhões em 2025
- Valor relacionado a acordo envolvendo a aquisição da Votorantim Siderurgia
- Registro feito no resultado financeiro do período
- Segundo a empresa, sem esse efeito o resultado seria positivo
Importações de aço
- 5,7 milhões de toneladas de laminados em 2025
- Alta de 20,5% sobre 2024
- Crescimento de 160% frente à média de 2000 a 2019
- Taxa de penetração: 21%
Medidas de defesa comercial
- Aplicação de medidas antidumping já aprovadas
- Novas ações em andamento, incluindo:
- bobina a quente
- fio-máquina
- Renovação do sistema de cota-tarifa em análise
- Medidas dependem de tramitação no governo e no Mercosul
- Expectativa de efeito ao longo de 2026
Projeção da empresa
- Expectativa de queda das importações nos próximos meses
- Possível reversão a partir do 2º trimestre
- Consolidação até o 3º trimestre
Projeto LTF (Tubarão)
- Investimento estimado em cerca de R$ 4 bilhões
- Produção de aço laminado a frio e galvanizado
- Estudo de viabilidade em fase final
- Projeto não interrompido
- Decisão condicionada ao cenário de importações
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