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Vírus volta a rondar a Casa Branca na reta final da campanha

| 26/10/2020 08:21 h

Na reta final da campanha, Donald Trump voltou a ser assombrado pela pandemia. Apesar de dizer que a vitória sobre o vírus está próxima, ele vem sendo desmentido pela realidade. No domingo (25), quando ensaiava ataques a Joe Biden, a crise voltou a bater na porta da Casa Branca: cinco assessores de seu vice, Mike Pence, testaram positivo para covid e seu próprio chefe de gabinete, Mark Meadows, reconheceu que o governo não vai controlar a pandemia.

Atrás nas pesquisas, a nove dias da eleição, e tendo de enfrentar um novo surto de covid - os EUA vêm registrando mais de 80 mil novos casos por dia -, Trump vem cruzando o país tentando impor sua narrativa, defendendo seu legado econômico e atacando o rival democrata, descrito ora como um radical de esquerda, ora como um político fracassado.

Ontem, porém, a Casa Branca voltou a ser criticada por não proteger seus próprios funcionários. Marc Short, chefe de gabinete de Pence, um dos assessores mais próximos do vice-presidente, que foi visto recentemente ao lado dele em várias ocasiões, foi diagnosticado com covid - outros quatro da equipe também foram contaminados.

Outros quatro assessores também testaram positivo. O vice-presidente, no entanto, manteve a agenda de campanha e não cumpriu isolamento social - como recomenda o protocolo estabelecido por agências do próprio governo americano. De acordo com Devin O’Malley, porta-voz de Pence, o vice-presidente e sua esposa, Karen Pence, fizeram exames e não estão com coronavírus. Segundo O’Malley, o trabalho de Pence é considerado "essencial", por isso ele não entrou em quarentena.

Inicialmente, Mark Meadows, chefe de gabinete da Casa Branca, tentou esconder as informações sobre a equipe de Pence. "Compartilhar informações pessoais não é algo que a gente deva fazer, não é algo que fazemos. A menos que seja o vice-presidente, o presidente ou alguém muito próximo deles, quando há pessoas em risco", disse Meadows em entrevista ao jornalista Jake Tapper, no programa State of the Union, da CNN.

Imagem ilustrativa da imagem Vírus volta a rondar a Casa Branca na reta final da campanha

Pressionado, Meadows voltou a comparar a covid-19 à gripe comum, um argumento usado por Trump, mesmo depois de ter sido hospitalizado com a doença que matou mais de 220 mil americanos. "Não vamos controlar a epidemia, vamos controlar o fato de que podemos ter vacinas, tratamentos e outras formas de aliviá-la. O vírus é contagioso como uma gripe."

As críticas a Pence vieram de todos os lados - e não somente de democratas. Chris Christie, ex-governador republicano de New Jersey, disse ontem ao programa This Week, da rede ABC, que ficou surpreso com a decisão do vice-presidente de continuar a campanha mesmo após testes positivos de cinco assessores. "Todo mundo deveria colocar a saúde das pessoas em primeiro lugar", disse Christie. "Você tem de se manter isolado de todos e estou um pouco surpreso com isso."

Biden aproveitou a sequência de notícias para acusar Trump de se "render à pandemia". "Não foi um deslize de Meadows (chefe de gabinete), foi um reconhecimento sincero da estratégia do presidente Trump desde o início da crise: agitar a bandeira branca da derrota e esperar que, ignorando-a, o vírus simplesmente vá embora", disse o democrata. "Ele não foi embora e não irá."

Vivendo uma terceira onda de infecções, principalmente em Estados do Meio-Oeste e centro-norte dos EUA, a crise deve dominar o noticiário até o dia da eleição, na semana que vem. Na sexta-feira, os americanos registraram seu maior número diário de casos de coronavírus desde o início da pandemia, com pelo menos 82,6 mil novas infecções - mais do que o estabelecido durante o pico de casos em julho.

A onda atual é mais espalhada territorialmente do que as anteriores A disseminação geográfica torna o vírus mais perigoso, uma vez que pode causar uma escassez de equipes médicas e suprimentos. Os hospitais já estão relatando a falta de medicamentos básicos necessários para tratar o covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus. "Uma maneira de superar as ondas anteriores foi movimentando os profissionais de saúde. Isso não é possível agora, porque o vírus está surgindo em todos os lugares", disse Eleanor Murray, epidemiologista da Universidade de Boston. (Com agências internacionais)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
 

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