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Pesquisa nacional mostra que país está longe de imunidade coletiva

| 12/06/2020 09:59 h

O número de pessoas infectadas pelo coronavírus cresceu 53% em duas semanas, entre a primeira e a segunda fases da pesquisa nacional sobre a doença, a Epicovid-19. A segunda rodada do estudo foi a campo entre os dias 4 e 7 de junho.

Trata-se da variação do número de pessoas que tinham anticorpos para a doença, testadas na Epicovid-19, em 83 cidades para as quais é possível comparar os dados das duas etapas. Nesses municípios, a taxa de infecção passou de 1,7% da população para 2,6%. Na contagem oficial de casos, a evolução foi de 33,5%.

A relativamente baixa proporção de pessoas infectadas indica que a imunidade coletiva ("de rebanho") ainda está longe. A infecção pelo coronavírus praticamente terminaria quando cerca de 65% de uma população estivesse infectada (essas projeções variam e são objeto de controvérsia).

Considerada a taxa de infectados na pesquisa e a evolução recente da doença, levaria ainda de dois a três meses para que um estado como São Paulo chegasse perto da imunidade coletiva. No entanto a taxa de crescimento de novos casos cai, embora muito lentamente.

No conjunto do país, pelos dados oficiais, o número de casos tem crescido ao ritmo de cerca de 100% por quinzena. No estado de São Paulo, ao passo de 81%.

Nas 120 cidades em que os pesquisadores puderam fazer mais de 200 testes vivem cerca de 68,6 milhões de pessoas, das quais 2,8% tinham anticorpos, na estimativa da Epicovid-19. Logo, cerca de 1,9 milhão de pessoas tinham sido até então infectadas, tenham ou não apresentado sintomas da doença.

Imagem ilustrativa da imagem Pesquisa nacional mostra que país está longe de imunidade coletiva

Pelos números oficiais, até 3 de junho esses municípios haviam contado 296.305 casos e 19.124 mortes. Em geral, são contados oficialmente apenas casos sintomáticos, dada a escassez de testes, entre outros problemas do sistema de saúde.

Assim, o número total de casos de infecção deve equivaler a seis vezes o total de casos oficiais, ao menos nessas 120 cidades (na primeira etapa da pesquisa, era de sete essa relação entre casos de infecção e casos oficiais). A estimativa da Epicovid-19 sugere uma taxa de letalidade alta, de 1% (isto é, a porcentagem do total de infectados que acaba por morrer).

"Os resultados dessas 120 cidades não devem ser extrapolados para todo o país, nem usados para estimar o número absoluto de casos no Brasil, pois são provenientes de cidades populosas, com circulação intensa de pessoas e que concentram serviços de saúde", dizem os autores do estudo.

A diferença de taxas de infecção pelas regiões brasileiras é grande. "As 15 cidades com maiores prevalências incluem 12 da região Norte e 3 do Nordeste (Imperatriz, Fortaleza e Maceió). Na região Sul, nenhuma cidade apresentou prevalência superior a 0,5%", diz o estudo.

Na pesquisa, a cidade de São Paulo continua com algo próximo de 3% de infectados. No Rio de Janeiro, de 7,5%. As capitais com maior prevalência na segunda etapa foram Boa Vista (RR), com 25,4%, Belém (PA), com 16,9% e Fortaleza (CE), 15,6%.

O estudo é um um teste de uma amostra da população. Os pesquisadores colheram exames gratuitos de 31.165 de 133 cidades de todos os estados do país.

O trabalho é coordenado por Pedro Hallal, epidemiologista e reitor da Universidade Federal de Pelotas, em colaboração com pesquisadores de Universidade de São Paulo, a Universidade Federal de São Paulo, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a Fundação Getúlio Vargas e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

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