Missão Amazônia encara 30 horas de barco e rotina intensa
Voluntários da Missão Amazônia enfrentam longas viagens de barco, estrutura simples e rotina intensa, com evangelização e atendimentos em saúde.
Os voluntários da Missão Amazônia enfrentam longas viagens de barco, estrutura simples e uma rotina intensa de evangelização e atendimentos em saúde nas comunidades ribeirinhas.
Paradas fora do roteiro rendem novos contatos
Na última edição da Missão Amazônia, duas paradas que não estavam programadas marcaram os participantes. Elas ocorreram na cidade de Portel e na localidade de São Miguel do Pracuúba, no município de Muaná.
Em Portel, foi realizado somente o trabalho de evangelização, com os voluntários percorrendo as ruas cantando louvores e distribuindo convites.
João Cidade, pastor que atua na missão, conta que o resultado veio pouco depois.
"Pouco tempo depois que saímos de Portel, fomos informados pela equipe do 0800 da Maranata – que recebe pedidos de informações e oração – que uma pessoa havia ligado perguntando onde era a igreja, porque queria ir com toda a família. Isso foi resultado da evangelização e motivo de glorificarmos a Deus"
Já em São Miguel do Pracuúba, um pastor de outra denominação abriu as portas de sua igreja para que a equipe da missão realizasse um culto, e a escola da comunidade cedeu espaço para a realização de atendimentos na área da saúde.
"Não tínhamos planos de ir para lá, mas o Senhor revelou que deveríamos fazer isso e Ele abriu todas as portas"
Um dos registros da missão mostra o momento de evangelização de pessoas que passam pelas ruas.
Até 30 horas de viagem em barco
Os voluntários chegam a passar até 30 horas em viagem de barco durante cada Missão Amazônia. O maior trajeto é o primeiro, entre as cidades de Belém e Melgaço.
Nas últimas missões, com um barco mais rápido, esse percurso foi feito em cerca de 12 horas. Mas o pastor João Cidade, coordenador da Missão Amazônia, lembra que, na primeira viagem, o tempo foi bem maior.
"O barco da Sociedade Bíblica era muito mais lento do que esse que usamos hoje. Na primeira missão, levamos 22 horas para fazer esse mesmo trajeto"
A voluntária Andréia Mercês, 50, conta como é a embarcação.
"O barco atende às nossas necessidades, mas não oferece conforto. Nas duas últimas edições, utilizamos um barco maior, então, deu para acomodar melhor os equipamentos, os instrumentos e a comida. Mas não há quartos ou camas"
Ela, que atua como cozinheira nas missões, relata que a falta de estrutura também aparece na hora das refeições.
"Cada um come sentado na sua poltrona. Não tem como usar faca direito, por isso, preparamos as carnes em pedaços pequenos para servir aos voluntários"
Outro registro da viagem mostra voluntários que tocam e cantam louvores durante os trajetos de barco.
Cuidados com a saúde dos voluntários
Para preservar a saúde dos voluntários durante a viagem pela Amazônia, são tomados vários cuidados, que vão desde o preparo dos alimentos até a vacinação.
A biomédica Rachel Alves, 41, já participou de 12 edições da Missão Amazônia e conta que a atenção com a equipe começa antes mesmo da saída.
"Os voluntários são orientados a tomar a vacina contra febre amarela, porque a região que atendemos é endêmica para a doença. Também reforçamos com eles a importância de, durante a viagem, usarem protetor solar, repelente e beberem muita água"
Os voluntários também devem se alimentar apenas com o que é oferecido pela equipe. A empresária Andréia Mercês, que atua como cozinheira, explica que todos os alimentos não perecíveis e a água são adquiridos em Belém.
"Nas localidades que visitamos, é comum encontrarmos condições de higiene ruins e água contaminada. Além disso, nosso organismo não está acostumado com alguns alimentos que a população local consome. Para evitar que os voluntários passem mal, levamos o máximo de comida de Belém. Geralmente, adquirimos apenas carne nas paradas. Também não se come verduras cruas durante a viagem, para evitar contaminações"
Uma das imagens da missão registra a comida preparada pela equipe para os voluntários.