Missão Acre leva atendimento médico e evangelização a aldeias indígenas
Missão Acre reúne voluntários de vários estados para oferecer atendimentos de saúde e ações evangelísticas em Tarauacá e aldeias indígenas.
Uma semana de evangelizações e atendimentos na área da saúde marcou o início da Missão Acre. A primeira edição alcançou a população de Tarauacá e chegou a duas aldeias indígenas do município: Aldeia Pinuya, conhecida como Km 27, e Aldeia do Caucho.
Em outubro do ano passado, 14 voluntários de igrejas locais se uniram a outros 45, vindos de 10 estados brasileiros, para realizar o trabalho missionário e de assistência em saúde.
Atendimentos em saúde e ação evangelística
Segundo o pastor João Cidade, coordenador da Missão Acre, foram registrados 997 atendimentos na área da saúde, entre eles consultas com cardiologistas, pediatras, ginecologistas e dentistas.
Ele explica que o trabalho foi planejado em duas frentes complementares.
- Levar, gratuitamente, profissionais de diferentes especialidades a comunidades com difícil acesso a serviços de saúde.
- Realizar ações evangelísticas por meio de cultos, orações, louvores e atividades com crianças.
Cidade destaca que a missão não pretende substituir a rede pública de saúde. A proposta é complementar a assistência já existente, colocando temporariamente especialistas voluntários à disposição das comunidades e auxiliando na identificação de necessidades e na orientação dos pacientes.
"Cada voluntário contribui segundo sua formação ou habilidade, em prol do mesmo propósito: servir às comunidades e compartilhar a mensagem de que, em breve, o Senhor Jesus vem arrebatar a Sua Igreja, o Maranata"
Os atendimentos de saúde ocorreram no posto de saúde de Tarauacá e nas aldeias. A hierarquia nas comunidades indígenas foi respeitada em todo momento, e as ações foram autorizadas pelos caciques.
Durante a Missão, as equipes também participaram de atividades em escolas, de evangelizações nas ruas, de cultos e de visitas às residências de moradores.
"Cada voluntário contribui segundo sua formação e compartilha a mensagem cristã” Pastor João Cidade, coordenador da Missão Acre
Atendimentos dentro de uma oca na Aldeia Pinuya
Quando chegaram à primeira aldeia visitada durante a Missão Acre, a Pinuya, os voluntários não encontraram uma estrutura convencional para realizar os atendimentos.
Diante disso, decidiram adaptar uma oca, fazendo divisórias de tecido para receber os pacientes, conta o pastor João Cidade, coordenador da missão.
"Dessa maneira, foi possível organizar consultórios provisórios e oferecer um atendimento individualizado"
Mesmo com a estrutura improvisada, foram realizados, em uma manhã, 236 atendimentos em cardiologia, clínica geral, ginecologia, pediatria, ortopedia, odontologia e enfermagem.
“A experiência da Aldeia Pinuya sintetiza uma das características do projeto: adaptar a estrutura da missão às condições locais para que o atendimento chegue às pessoas”, destaca Cidade.
Ele explica ainda que, na Aldeia do Caucho, os voluntários realizaram atendimentos no posto de saúde da comunidade, oferecendo as mesmas especialidades.
Viagem de mais de 12 horas até Tarauacá
A viagem de Rio Branco a Tarauacá durou cerca de 12 horas na primeira edição da Missão Acre. As duas cidades estão a aproximadamente 400 quilômetros de distância e o percurso normalmente levaria cerca de cinco horas.
No entanto, devido às más condições da estrada durante a Missão, o tempo de viagem foi prolongado.
O acesso às comunidades indígenas também exigiu que os voluntários enfrentassem trechos de estrada de chão e, em alguns pontos, utilizassem veículos com tração 4x4. Para chegar a uma das localidades atendidas, a equipe ainda precisou atravessar um rio de barco.
"Essa logística é uma característica importante da missão. Em vez de concentrar os atendimentos em uma estrutura urbana e aguardar o deslocamento da população, as equipes vão às comunidades, transportando profissionais, materiais e equipamentos necessários para os atendimentos"
O pastor João Cidade reforça que essa dinâmica permite que a assistência chegue a localidades mais isoladas e a pessoas que dificilmente conseguiriam se deslocar até os centros urbanos.
Profissão abriu caminho para a Missão Acre
A trajetória profissional de uma advogada, membro da Igreja Cristã Maranata (ICM), abriu caminho para a realização da primeira edição da Missão Acre.
Pastores locais já haviam sinalizado a necessidade de uma ação de assistência à saúde na região e manifestado o desejo de receber o trabalho de evangelização.
A ideia, porém, só começou a tomar forma depois que Isabela Fernandes participou de sua primeira missão, a 12ª Missão Amazônia.
"Eu já atuava no governo do Acre há quatro anos com comunidades em situação de vulnerabilidade e entendi que poderíamos aplicar aquela estrutura da Missão naquele estado também"
A partir daí, Isabela passou a atuar como ponte entre as autoridades municipais, os caciques e a coordenação da Missão. A articulação avançou rapidamente e, em poucos meses, a primeira Missão Acre se tornou realidade.
"Meu papel nessa Missão foi preparado pelo Senhor por meio do meu trabalho. Participar do projeto minucioso de Deus e poder contribuir com a profissão que Ele me deu foi um renovo e uma experiência espetacular"
Ela conta que a rapidez com que o projeto tomou forma a surpreendeu.
"Eu realmente não esperava que tudo acontecesse tão rapidamente. Foram poucos meses entre a primeira conversa com o pastor João Cidade sobre a realização da iniciativa no Acre e a vinda da missão"