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TRIBUNA LIVRE

Responsabilidade compartilhada pela preservação das águas

Descarte incorreto de resíduos pode provocar obstruções e afetar o funcionamento das redes de esgoto

Marcello Dall'Ovo | | Atualizado em
Tribuna Livre

Leitores do Jornal A Tribuna


          Imagem ilustrativa da imagem Responsabilidade compartilhada pela preservação das águas
Marcello Dall'Ovo é diretor executivo das unidades da AEGEA, com atuação no Espírito Santo |  Foto: Divulgação

Quando falamos em preservação das águas, normalmente pensamos em grandes obras, recuperação de rios, investimentos em saneamento e políticas públicas. Tudo isso é indispensável. Mas existe uma parte dessa responsabilidade que está muito mais perto de nós: dentro de casa.

O que jogamos na pia, no vaso sanitário ou na rede de esgoto não desaparece. Esse material segue pelas tubulações, chega às estações elevatórias e de tratamento e, quando provoca obstruções ou interfere no funcionamento do sistema, precisa ser retirado pelas equipes de operação.

No primeiro semestre deste ano, 1.088 toneladas de resíduos grosseiros foram destinadas a partir dos sistemas de esgotamento sanitário da Serra, Vila Velha e Cariacica. O material foi retirado das redes de esgoto, dos poços de elevatórias e dos sistemas preliminares das estações de tratamento. Entre o que é encontrado estão tecidos, peças de roupa, papel, cabelo e gordura — resíduos que não deveriam chegar ao sistema.

Mais do que o volume, chama atenção o impacto desse descarte. Diferentes materiais podem se acumular e formar grandes aglomerados, dificultando a passagem do esgoto. A gordura também merece atenção: quando se acumula nas tubulações causando obstruções do sistema de esgotamento sanitário e nos poços das elevatórias, pode interferir no funcionamento dos equipamentos responsáveis pelo bombeamento. Em situações assim, podem ocorrer obstruções e extravasamentos, além de impactos na operação de um serviço essencial.

Há ainda uma etapa que pouca gente conhece. Depois de retirado, o resíduo não simplesmente deixa de existir; ele é encaminhado para uma unidade gerenciadora de resíduos, onde passa por um período de redução da umidade antes de ser destinado ao aterro sanitário.

Isso mostra como uma atitude aparentemente pequena pode gerar uma cadeia de trabalho e recursos que, em muitos casos, poderia ser evitada. O descarte feito dentro de uma residência pode ter consequência muito além daquele momento.

Por isso, preservar as águas não é uma responsabilidade exclusiva de quem opera ou fiscaliza os sistemas de saneamento. O poder público, as empresas, as comunidades e os cidadãos têm responsabilidades diferentes, mas todos fazem parte dessa construção.

A infraestrutura é essencial para levar o saneamento às cidades. Mas ela precisa estar acompanhada de informação, educação ambiental e conscientização. Quando as pessoas entendem o impacto de suas escolhas, fica mais fácil transformar conhecimento em comportamento.

No fim, cuidar das águas também passa por atitudes bastante simples. Saber o que pode ser descartado e o que deve ter outra destinação é uma delas.

O esgoto não é uma lixeira. E aquilo que decidimos não jogar pelo ralo também é uma forma de cuidar da água, da cidade e da qualidade de vida de todos.

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