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Os 40 anos da mobilização dos capixabas para a Constituinte

Mobilização popular, participação feminina e articulação política marcaram o caminho até a Constituição de 1988, símbolo da redemocratização do País

Júnior Abreu | 02/04/2026, 13:13 h | Atualizado em 02/04/2026, 13:13
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          Imagem ilustrativa da imagem Os 40 anos da mobilização dos capixabas para a Constituinte
Júnior Abreu é secretário-chefe da Casa Civil do Governo do ES |  Foto: Divulgação

O início do ano de 1986 trazia novos ventos para o Brasil. Em fevereiro daquele ano, foi organizada uma caravana para a entrega em Brasília de um abaixo-assinado a favor de um Constituinte no País, na esteira das iniciativas da sociedade por mais participação na vida política do Brasil. O clima no País era de desejo de mudança, de se fazer ouvido (e também ouvida!).

No Dia Internacional da Mulher (8 de março) daquele ano, por exemplo, foi realizado o ato cultural “A Mulher e a Constituinte”, na Praça Oito, no Centro de Vitória

O documento do movimento era enfático: “Nós mulheres capixabas, conscientes da participação efetiva das mulheres nos debates que antecedem a Assembléia Constituinte, e da nossa atuação direta, quer como eleitoras, quer como constituinte com assento na Assembléia, firmamos o compromisso nesta data de defendermos uma Constituinte livre, soberana, e sobretudo representativa dos diversos segmentos da sociedade”.

Ao longo de 1986, estiveram no Estado para participar de debates sobre os rumos do Brasil nomes como Paulo Brossard, Hélio Silva, José Alfredo Baracho, Raymundo Faoro, Bolivar Lamonier, Marco Maciel, José Serra, Lula, Ulysses Guimarães, Sandra Cavalcante, Eros Grau e Paulo Bonavides.

A pressão popular por participação havia se iniciado anos antes. A campanha das Diretas Já, entre 1983 e 1984, com manifestações nas ruas, inclusive em Vitória, já tinha dado o recado sobre o que o País exigia: o direito de votar para presidente – o que só aconteceria em 1989.

Em 1985, um civil assumiu a Presidência, pondo fim ao ciclo de 21 anos de generais-presidentes. Por uma fatalidade, Tancredo Neves, eleito pelo Colégio Eleitoral, não pôde assumir o cargo. Coube, então, ao vice-presidente eleito, José Sarney, esse papel.

Em novembro de 1986, foram eleitos os parlamentares que participariam da Assembleia Nacional Constituinte, que viria a ser instalada em fevereiro do ano seguinte. O trabalho dos 559 parlamentares (487 deputados federais e 72 senadores) se dividiu por oito comissões temáticas, cada uma com três subcomissões.

Os trabalhos da Constituinte se estenderam até outubro de 1988, com a promulgação da “Constituição Cidadã”.

Entre os parlamentares que representaram o povo capixaba, estavam os senadores Gerson Camata, que havia renunciado ao cargo de governador para disputar as eleições, e João Calmon, que foi relator da Subcomissão de Educação, Cultura e Esportes.

Quatro décadas já se passaram, mas vale sempre lembrar que a democracia é um valor inestimável.

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