A luta das mulheres também é pelo direito de viver
Exibições e debates buscam conscientizar sobre sinais e consequências da violência contra a mulher
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No Dia Internacional da Mulher, celebrado no último dia 8 de março, é comum falarmos sobre conquistas e avanços assegurados ao longo das décadas, que, de fato, são fundamentais. Mas a data também nos impõe um olhar atento para uma realidade que ainda insiste em ferir e interromper vidas. Em menos de dois meses, já foram registrados 12 homicídios dolosos de mulheres e dois casos de feminicídio no Espírito Santo, um dado alarmante que reforça a urgência de transformar reflexão em ação.
Os números do Painel de Monitoramento da Violência Contra a Mulher, da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social, revelam a dimensão do problema. Em 2025, foram contabilizados 75 casos de homicídio e 34 vítimas de feminicídio, além de 90 tentativas de assassinato contra mulheres. Também foram registrados 15.336 casos de ameaça, 1.653 de perseguição e 7.655 de lesão corporal.
Cada estatística carrega uma história marcada pela violência. Por trás dos números, há mulheres que tiveram seus direitos violados e suas vozes silenciadas. Falar sobre o tema é fundamental, mas não suficiente. É preciso criar espaços de escuta, fortalecer a rede de apoio e incentivar a denúncia.
Com esse propósito, estamos percorrendo o Espírito Santo com o projeto “Ato Final na Estrada”, que já passou por municípios do Sul e da Região Metropolitana em 2025 e retorna para um novo ciclo de exibições gratuitas do documentário Ato Final, na Região Norte. Mesclando depoimentos reais e encenações, o filme retrata as diferentes formas de violência sofridas pelas mulheres até o feminicídio e evidencia como esse ciclo da violência se constrói de maneira progressiva.
O cinema torna-se, assim, instrumento de denúncia e sensibilização. Após cada sessão, realizamos debates sobre o enfrentamento à violência de gênero, abordando sinais que muitas vezes passam despercebidos: controle excessivo, isolamento, ameaças, agressões verbais e psicológicas. Compreender esses indícios é essencial para interromper a escalada que pode culminar no ato mais extremo.
Ao promover esses encontros, buscamos mais do que informar. Queremos provocar reconhecimento, encorajar denúncias e fortalecer vínculos comunitários. Muitas mulheres se identificam nas histórias apresentadas e percebem que não estão sozinhas e que há caminhos possíveis para romper o ciclo da violência.
Neste mês tão simbólico, reafirmamos que celebrar as mulheres também é proteger suas vidas. O enfrentamento à violência exige compromisso coletivo, políticas públicas eficazes e mobilização social permanente. Não podemos naturalizar números que crescem ano após ano.
Se uma única mulher for alcançada e identificar os sinais, já estaremos avançando. Porque o silêncio também mata, e a omissão perpetua o risco. Que as histórias retratadas em Ato Final inspirem empatia e coragem. Que possamos dizer, todos os dias: hoje, não. Hoje, nenhuma mulher será silenciada. Hoje, escolhemos agir para que o amanhã seja, de fato, de todas.
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