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28 anos da lei: transparência e futuro da saúde suplementar

Ao completar 28 anos, legislação segue como pilar da saúde suplementar e enfrenta novos desafios de transparência, inovação e acesso

Flávio Cirilo | 03/06/2026, 10:56 h | Atualizado em 03/06/2026, 10:56
Tribuna Livre

Leitores do Jornal A Tribuna


          Imagem ilustrativa da imagem 28 anos da lei: transparência e futuro da saúde suplementar
Flávio Cirilo é CEO da Qualisaude |  Foto: Divulgação

Considerada a mais importante da saúde suplementar, a Lei dos Planos de Saúde pode ser estruturada em um tripé que visa organizar, regularizar e proteger o mercado e as vidas assistidas pelos planos de saúde.

Ao completar 28 anos em 2026, olhar para tudo o que foi construído na saúde suplementar é reconhecer a capacidade dessa legislação de se manter viva, relevante e necessária diante das transformações sociais, econômicas e tecnológicas. É também uma oportunidade para refletir sobre os desafios ainda pendentes e o papel central dessa lei na construção de um setor mais transparente, eficiente e comprometido com o beneficiário.

Ao longo desses 28 anos, a lei se consolidou como um marco regulatório fundamental para a organização dos planos de saúde no País. Seu impacto vai muito além da formalidade jurídica, pois deu previsibilidade às relações entre operadoras, prestadores e consumidores, estabelecendo bases mais sólidas para o funcionamento do setor.

Em um ambiente historicamente marcado por assimetrias de informação, esse avanço foi decisivo para fortalecer a segurança assistencial e ampliar a confiança do usuário. Em situações em que alguém contratava o plano sem entender o que estava coberto, cada vez mais a clareza passou a ser parte essencial do processo.

Mas toda lei que se torna madura também precisa ser continuamente debatida. E é justamente nesse ponto que reside a força desta data, pois abre espaço para discutir o que foi conquistado e o que ainda precisa ser aperfeiçoado. A saúde suplementar avançou muito nos últimos anos. Os perfis dos beneficiários mudaram. As demandas se tornaram mais complexas. Hoje, falamos de telessaúde, saúde mental, integração de dados, jornadas assistenciais mais eficientes, ampliação do acesso, verticalização dos serviços e, principalmente, de transparência na relação entre operadoras e usuários.

Nesse cenário, a transparência deixa de ser apenas uma exigência administrativa e passa a ser valor estruturante. O beneficiário quer entender o que está contratando, quais os limites da cobertura, como funciona a rede credenciada, quais os prazos de atendimento e de que forma as decisões da operadora impactam sua jornada de cuidado. Quanto mais clara for essa relação, maior será a legitimidade do sistema e menor o espaço para conflitos, ruídos e judicialização.

Também é preciso reconhecer que o aperfeiçoamento dos planos de saúde depende de inovação, responsabilidade e compromisso com resultados concretos. Não basta ampliar acesso no papel; é necessário garantir acesso real, com qualidade, continuidade e resolutividade.

Isso exige investimento em modelos assistenciais mais integrados, atenção coordenada e uso inteligente da tecnologia. A lei, nesse contexto, deve ser vista como instrumento de equilíbrio entre sustentabilidade econômica e proteção do consumidor.

O setor de saúde suplementar continuará avançando em governança, clareza regulatória e foco no beneficiário, e o que regula o setor deve acompanhar de perto as novas demandas. A lei permanece como pilar essencial para esse processo, mas sua efetividade depende da capacidade de todos os atores envolvidos de transformá-la em prática cotidiana.

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