Voltou a sentir fome usando caneta emagrecedora?
Tudo o que você precisa saber para uma alimentação saudável no dia a dia
Gabriela Rebello
Gabriela Rebello é nutricionista, especialista em saúde feminina, estética, nutrição esportiva e comportamento alimentar. Colunista de A Tribuna, professora e coordenadora do curso de Nutrição em instituição de ensino superior, integra o quadro de nutricionistas do Hospital Albert Einstein na Grande Vitória, unindo ciência, prática clínica e cuidado humano.
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O inverno chegou e, com ele, uma dúvida tem aparecido cada vez mais no consultório: “A minha fome voltou. Será que a caneta emagrecedora parou de fazer efeito?”. Se essa pergunta passou pela sua cabeça, saiba que você não está sozinho. E, na maioria das vezes, a resposta é: não.
Nos dias mais frios, nosso organismo naturalmente sofre algumas adaptações. Uma delas é o aumento da vontade de comer.
O corpo precisa produzir mais calor para manter a temperatura corporal e, além disso, o inverno desperta um comportamento que muitos conhecem bem: a busca por alimentos mais calóricos, como massas, chocolates, pães, caldos e doces.
Não é apenas uma questão de força de vontade. Existe uma resposta do organismo ao ambiente.
Quem utiliza canetas emagrecedoras continua sentindo esse efeito. A medicação reduz a fome e aumenta a saciedade, mas ela não elimina completamente os estímulos emocionais, sociais e comportamentais relacionados à alimentação.
Por isso, sentir um pouco mais de apetite no inverno não significa, necessariamente, que o medicamento perdeu a eficácia.
Outro erro bastante comum é acreditar que a caneta faz todo o trabalho sozinha.
Ela é uma excelente ferramenta para o tratamento da obesidade, mas não substitui uma alimentação equilibrada, atividade física, sono de qualidade e acompanhamento nutricional.
Aliás, muitas pessoas reduzem tanto a quantidade de alimentos que acabam ingerindo pouca proteína, poucas fibras e vitaminas importantes. Com o passar dos meses, isso favorece perda de massa muscular, diminui a saciedade e pode aumentar ainda mais a vontade de comer.
Ou seja, nem sempre a fome é sinal de que a medicação falhou. Muitas vezes, é o próprio organismo pedindo aquilo que deixou de receber.
A boa notícia é que alguns ajustes simples costumam resolver grande parte dessa situação.
Priorize proteínas em todas as refeições, aumente o consumo de verduras, legumes e frutas, mantenha uma boa hidratação e não abandone o treino de força. No inverno, sopas bem estruturadas, caldos com legumes e proteínas magras podem ser excelentes aliados, trazendo conforto sem comprometer o emagrecimento.
Antes de pensar em aumentar a dose da medicação, vale a pena revisar sua rotina.
Você continua dormindo bem? Está bebendo água suficiente? Mantém uma alimentação equilibrada? Está treinando regularmente?
Essas respostas costumam dizer muito mais sobre o sucesso do tratamento do que a quantidade de fome sentida em um dia frio.
Emagrecer não significa nunca mais sentir vontade de comer. Significa aprender a lidar com esses momentos sem perder o controle do processo.
Neste inverno, em vez de concluir que a caneta deixou de funcionar, aproveite para olhar sua rotina com mais atenção. Muitas vezes, não é a medicação que precisa mudar. É a estratégia.
Porque a verdadeira transformação acontece quando aprendemos a cuidar da saúde em todas as estações do ano, e não apenas quando tudo parece mais fácil.
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Saúde não é moda, é construção diária. Nesta coluna semanal, você vai entender como alimentação, comportamento, emoções e estilo de vida impactam seu corpo e sua mente. Reflexões práticas, ciência aplicada e estratégias reais para viver com mais equilíbrio, energia e consciência.