Quando a internet rouba a infância
Adultização infantil na internet preocupa especialistas e reforça papel dos pais na proteção digital
Eduardo Pinheiro
Com formação em Direito e TI e Mestre em Políticas Públicas, Eduardo é pioneiro em segurança digital no Brasil. Fundou a Delegacia de Crimes Cibernéticos (2000) e o Programa de Proteção de Dados do Espírito Santo (2021). Especialista em LGPD e IA, é professor, palestrante e comentarista de tecnologia da TV Tribuna/BAND.
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Na última semana, um vídeo do influenciador Felipe Pereira, conhecido como Felca, viralizou nas redes brasileiras. O motivo? Um alerta contundente sobre um fenômeno cada vez mais presente e preocupante: a adultização de crianças na internet.
Não é difícil encontrar, em poucos cliques, centenas de vídeos em que meninas e meninos aparecem usando maquiagens e roupas com conotação sexual, reproduzindo coreografias sensuais para milhares de seguidores, discutindo assuntos que pertencem ao universo adulto, ou sendo pressionados a criar conteúdo monetizado, com intensa exposição pública.
Psicólogos, pediatras e educadores alertam que esse tipo de exposição precoce pode gerar consequências sérias: aumento do risco de exploração sexual e aliciamento online, prejuízos ao desenvolvimento emocional, problemas de autoestima e saúde mental e até a supressão de fases importantes do desenvolvimento infantil.
Em outras palavras, a infância vai sendo encurtada — e, muitas vezes, perdida — diante das câmeras.
O problema se agrava porque as plataformas onde as crianças mais passam tempo — como Roblox, GachaLife, TikTok, BrawlStars, Minecraft, WhatsApp e Instagram — podem ser justamente os pontos de partida para o contato com aliciadores e para a perpetuação desse comportamento.
O acesso irrestrito, somado à ausência de supervisão adequada, cria um terreno fértil para riscos. Vale lembrar que a adultização e o aliciamento infantil não são apenas questões morais ou sociais: trata-se de condutas já combatidas pela lei.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECRIAD) prevê, por exemplo, a proibição de qualquer forma de exploração e violência (Art. 5º), a proteção da dignidade, integridade física e moral (Art. 15) e a criminalização da produção e divulgação de imagens sexualizadas de crianças (Art. 241-B), com penas que podem chegar a seis anos de prisão.
O papel dos pais é central nesse cenário. Proteger os filhos no ambiente digital significa manter supervisão ativa sobre o que fazem e com quem interagem online.
Utilizar aplicativos de controle parental, estabelecer limites claros de tempo de tela e, acima de tudo, manter um diálogo constante sobre segurança e ética digital é o caminho.
O silêncio ou a omissão funcionam como combustível para a perpetuação da adultização infantil — e essa omissão pode, inclusive, gerar responsabilização legal.
Ninguém é obrigado a ter filhos, mas, ao decidir tê-los, os pais assumem obrigações previstas na Constituição Federal e no ECRIAD.
Essas obrigações não são opcionais: cabe a eles garantir a proteção integral e um desenvolvimento saudável, emocional e cognitivo para as crianças. Ignorar esses deveres é fechar os olhos para riscos que podem marcar a vida de um filho para sempre.
A responsabilidade de guiar as crianças nesse mundo é dos pais. Proteger é amar. E amor, no mundo digital, significa presença, orientação e vigilância.
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