Há 170 anos nascia Freud, revolucionário e atual
Artigo relembra a revolução do inconsciente, a associação livre e o “mal-estar” diante da tecnologia, destacando a atualidade de Freud
Pós Doutor em Psicanálise, doutor em Comunicação e professor titular da Ufes
José Antonio Martinuzzo é Professor Titular da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Graduado em Jornalismo, é mestre e doutor em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense, com pós-doutorado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Pesquisa mídia, política, comunicação organizacional, redes digitais e psicanálise, sendo autor de diversos livros na área.
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Questão desconcertante? “Freud explica!” O lugar-comum onipresente evidencia a posição ímpar que Sigmund Freud conquistou na trajetória da humanidade com sua obra revolucionária – e extremamente atual. Afinal, o Freud que explica em pleno século XXI nasceu no século XIX, em 6 de maio de 1856, há exatamente 170 anos. A partir da descoberta do inconsciente e de sua fixação como dimensão determinante da subjetividade, o neurologista tornou-se o “Pai da Psicanálise”.
Constituiu um saber inaudito, comumente relacionado a outros dois golpes à arrogância humana: a retirada da Terra do centro do universo, por Copérnico, e a conexão da nossa espécie com o restante dos animais, por Darwin.
Com Freud, o Homo sapiens, a “espécie que sabe”, sucumbe ao “sujeito do inconsciente”, que “não governa a sua própria casa”.
Na contingência do inconsciente, Freud desenvolveu a técnica da associação livre, uma fala sem necessariamente algum sentido lógico, em que podem “vazar” vestígios desse nosso reservatório obscuro de repugnâncias e traumas sem fim.
Do recalque à expressão, ainda que enigmaticamente, abrem-se possibilidades para se autopsiar sintomas vários e se enfrentar males como angústias, ansiedades e depressões.
Na trilha dessa descoberta radical, Freud foi perpetrando outras subversões, também de longo curso. Do questionamento do patriarcado – “o que é um pai?” – à escuta das mulheres – “o que quer uma mulher?” –, com a qual fundou a psicanálise, num tempo de nefasto apagamento do feminino como subjetividade desejante.
Aliás, em 1933, Freud estabeleceu: “Corresponde à singularidade da psicanálise não querer descrever o que a mulher é (...), mas sim, pesquisar como ela pode se tornar uma mulher”.
Construindo essa caminhada originalíssima, Freud foi da identificação da sexualidade infantil à proscrição da condenação das homossexualidades (1935): “Não é algo pelo qual deva se envergonhar. Não é um vício, não é uma degradação, não pode ser classificada como uma doença. Nós consideramos que é uma variação da função sexual”.
Foi do pioneirismo da não correlação entre anatomia e o que hoje se denomina identidade de gênero e orientação sexual ao diagnóstico do incontornável mal-estar humano, oriundo do embate entre impositividade pulsional e contenção civilizacional.
Freud alertou acerca da perigosa ilusão de nos tornarmos “deuses de próteses” tecnológicas, tendo escrito, em 1930, que, àquela época, já não nos sentíamos felizes em “papel de semelhante a Deus”.
A digitalidade e seus efeitos nefastos à civilização humanística só evidenciam como Freud vem bem explicando há tanto – e continua. Por limitação de espaço, fecha-se aqui a lista de disrupções – para mais, fica o convite à psicanálise, pois.
Que as atuais e próximas gerações de psicanalistas e estudiosos possam sustentar e fazer caminhar a revolução freudiana, com lealdade aos seus princípios subversivos e à sua coragem de perceber além da ribalta do tempo, trazendo à luz o que não cessa de imperar a partir das profundezas do existir, com impositivos ecos em mim, em você, em nós.
JOSÉ ANTONIO MARTINUZZO é pós-doutor em Psicanálise (UERJ), doutor em Comunicação (UFF) e professor titular da Ufes
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José Antônio Martinuzzo,por Pós Doutor em Psicanálise, doutor em Comunicação e professor titular da Ufes
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Pós Doutor em Psicanálise, doutor em Comunicação e professor titular da Ufes
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