Direita e renovação vencem as eleições
Sociólogo João Gualberto avalia como o fator STF e a busca por novos nomes moldaram o resultado das urnas no Estado.
ES EM AÇÃO
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João Gualberto
Professor emérito da ufes, doutor em sociologia e membro do Conselho Deliberativo do ES em Ação
Estamos saindo de um primeiro turno de eleições muito especiais, no Brasil e no Espírito Santo. As eleições nacionais e seus desdobramentos regionais foram regidas pelo desejo dos eleitores de dar uma resposta aos desmandos visíveis do STF. O raciocínio é simples: já que não podemos votar em ministro do supremo, vamos votar em que pode mexer nesse grande vespeiro nacional.
Assim, os candidatos que vocalizaram esse sentimento popular foram muito bem-sucedidos nas urnas. Isso explica o enorme sucesso eleitoral do PL, o partido político que mais elegeu senadores em todo o Brasil, e explica também a ascensão de governadores de posições conservadoras na maioria dos Estados. Esse enfrentamento fez do parlamento brasileiro um lugar muito mais conservador do que nas legislaturas anteriores.
No caso do Espírito Santo, também creio que o fator STF nas eleições ajuda a compreender o enorme sucesso de alguns dos nossos principais fenômenos eleitorais. O jovem deputado federal do PL, Lucas Polese, teve a maior votação eleitoral deste ano, é um fenômeno político. Maguinha Malta teve desempenho extraordinário nas urnas, e Evair de Melo disputou palmo a palmo a liderança para o Senado com o ex-governador Renato Casagrande, que sempre foi tido como o mais votado do Estado. Ao final do processo, são senadores com a mesma estatura. Fator surpresa também.
Mas o caso capixaba revela também outro elemento que está presente nas eleições, e tão comum aos processos políticos: o desejo de renovar elites locais. O primeiro sintoma disso é a votação extraordinária do ex-prefeito Pazolini: por muito pouco não venceu no primeiro turno e é franco favorito para a segunda rodada das eleições. Repetindo o que havia acontecido nas eleições municipais, o eleitor capixaba quer experimentar o novo, os jovens na política.
Assim, creio que o desempenho geral dos candidatos e em especial de Pazolini associam essas duas dimensões: o desejo de renovação geracional e a vontade de punir o STF, de dar uma direção mais à direita à sociedade brasileira.
Vale destacar ainda que o embate somado ao desejo de renovação também se dá na renovação dos quadros de esquerda. A jovem e combativa deputada Camila Valadão foi a mais votada em 2026, com uma expressão eleitoral que surpreendeu todos. Aliás, a bancada de esquerda tem agora mais duas mulheres igualmente combativas, e ambas do PT, Karla Coser e Açucena, até então vereadora de oposição ao prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio.
Renovação das elites e combate ao STF com afirmação de uma nova direita foram as grandes marcas da eleição. Só a experiência e o sucesso de gestões não bastam, é preciso convencer os eleitores que eles têm um porta-voz de seus anseios de mudança. Para concluir não posso deixar de chamar a atenção para a importância das redes sociais: os campões nacionais de voto como Nikolas Ferreira e Lucas Polese têm destaque nas redes, onde hospedam suas plataformas eleitorais.
Um novo Brasil se mostrou desejado, vamos ver agora o desenlace do segundo turno para ter uma análise definitiva.
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ES À FRENTE,por ES EM AÇÃO
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ES à Frente é uma coluna do ES em Ação dedicada a trazer reflexões, com o objetivo de contribuir para o debate por meio de análises qualificadas sobre o desenvolvimento do Espírito Santo.