Sintoma é a voz da doença
Coluna foi publicada nesta terça-feira (14)
Dr. João Evangelista
João Evangelista Teixeira Lima é médico formado pela Emescam, com pós-graduação pela PUC-RJ. Especialista em Gastroenterologia e Clínica Geral, é colunista de A Tribuna e do Tribuna Online, onde também apresenta o quadro “Doutor João Responde” na TV Tribuna, abordando saúde e prevenção com linguagem simples.
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Ao contrário do que se pensa, 70% dos diagnósticos médicos são elaborados por meio de história clínica minuciosa. O fundamento da medicina é a observação. O corpo fala, a semiologia traduz.
A cadeira de semiologia não é apenas uma disciplina da graduação em medicina, ela é composta por um conjunto de técnicas, permitindo que a relação entre duas pessoas seja estabelecida, o médico e o paciente, para que o primeiro ofereça uma solução ao segundo.
Semiologia é a disciplina que se interessa pelo estudo da entrevista e do exame físico, expressos em sinais e sintomas, que o médico interpretará para compor o diagnóstico. Dentro dessa maneira de sentir e verbalizar sensações, emergem significados. Qualquer moléstia tende a ser sobrecarregada de adjetivação e significação.
Na metade do curso de Medicina, na cadeira de semiologia, acompanhando o paciente à beira do leito, abre-se uma nova realidade para o acadêmico, dando sentido à teoria antes acumulada.
O contato com o doente mescla teoria com prática. Mergulhado na semiologia, o estudante busca a decodificação das mensagens corporais emitidas pelo corpo doente.
Os sinais e sintomas traduzem o caráter invisível da doença, uma vez que pertencem ao campo das sensações. Nesse momento, o estudante de Medicina escuta os avisos do corpo, tentando compreender sua linguagem.
A semiologia médica tornou-se um conjunto sistematizado de técnicas, sendo legitimada como domínio específico do saber científico. As doenças, antes entidades invisíveis, passaram a ser concretas e bem definidas.
Com dinâmica sensorial, a semiologia conta com a visão, o tato e a escuta. O sintoma não é mais signo, mas significado da doença. Nesse contexto, o ideal se torna real, o olhar da superfície mira a profundidade, transformando o invisível em visível. A semiologia torce a teoria para obter fatos. O diagnóstico é estabelecido com base em “pistas”, visando a interpretação dos sintomas e a leitura dos sinais corporais.
A entrevista médica é denominada anamnese, cujo significado é “recordar”. Dessa forma, o enfermo é levado a rememorar o passado na reconstituição da história da doença. O médico que não sabe semiologia escuta sem ouvir, olha sem reconhecer e palpa sem perceber. Entre os sintomas que significam, e a doença que é significada, o método clínico surge como base para o diagnóstico.
Mudanças decorrentes dos extraordinários progressos experimentados pela ciência nos últimos anos também alcançaram a semiologia médica, com novos e sofisticados meios diagnósticos. Como ciência, a semiologia está em contínuo processo de evolução e aperfeiçoamento.
Enquanto existir um indivíduo com seus sofrimentos e suas mazelas, os preceitos da anamnese e do exame físico haverão de perdurar insubstituíveis, porque representam o esteio da medicina arte.
A ciência passa, mas a arte é perpétua, e a semiologia, como arte da ciência médica, continuará sendo exercida com a mente e o coração.
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PÁGINA DO AUTORDoutor João Responde
A coluna “Doutor João Responde” é publicada todas as terças-feiras no Jornal A Tribuna e no Tribuna Online. O espaço trata de saúde e prevenção em linguagem acessível, onde esclarece dúvidas do público e comenta temas de saúde que estão em destaque no Espírito Santo.