Complicações de cálculo na vesícula
Crônicas e dicas do doutor João Evangelista, que compartilha sua grande experiência na área médica
Dr. João Evangelista
João Evangelista Teixeira Lima é médico formado pela Emescam, com pós-graduação pela PUC-RJ. Especialista em Gastroenterologia e Clínica Geral, é colunista de A Tribuna e do Tribuna Online, onde também apresenta o quadro “Doutor João Responde” na TV Tribuna, abordando saúde e prevenção com linguagem simples.
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Colelitíase, ou pedra na vesícula, é uma condição comum caracterizada pela formação de cálculos na vesícula biliar, um órgão que ajuda a armazenar bile, para a digestão. É uma patologia frequente. Embora, quase sempre assintomática, pode evoluir para infecção, gerando urgência e emergência.
A principal diferença entre urgência e emergência é o perigo iminente de morte. Emergência representa risco imediato de vida, exigindo atendimento instantâneo, como acontece, por exemplo, em caso de infarto agudo do miocárdio.
Urgência é ocorrência grave, mas sem risco de morte imediata, exigindo atendimento rápido, mas não imperioso. Cálculos biliares ocorrem pela incapacidade da vesícula de manter os sais biliares e partículas de colesterol solubilizados na bile.
A presença de pedras na vesícula pode gerar várias situações clínicas e cirúrgicas.
O principal sintoma da colelitíase é a dor contínua no epigástrio, irradiando para a escápula. No início, náuseas e vômitos podem aparecer, se repetindo por vários dias ou meses.
O quadro doloroso surge após refeições gordurosas, depois de um jejum prolongado. A dor é provocada pela obstrução, de forma intermitente, do colo da vesícula biliar, por cálculo. Alguns pacientes não vão apresentar dor, e sim dispepsia, após alimentação, e mal estar de forma vaga e imprecisa.
Colecistite é a inflamação da vesícula que resulta na maioria das vezes de uma obstrução do ducto cístico, em 95% dos casos, geralmente se associando a quadros prévios de colelitíase. Na colecistite aguda, a colonização bacteriana pode levar a quadros infecciosos.
Coledocolitíase é a instalação de cálculos biliares no ducto colédoco. Geralmente é resultante da passagem de um cálculo, formado na vesícula biliar, pelo ducto cístico.
Muitas vezes, os cálculos de colédoco geram uma obstrução parcial e transitória, sendo então assintomático. Em outras situações, eles passam para o intestino pela Ampola de Vater, por isso, os pacientes comumente relatam sentir dor de cólica biliar idêntica a colelitíase. O quadro sintomático envolve dor em hipocôndrio direito e epigástrio contínua, podendo irradiar para o dorso e escápula direita e esquerda.
Geralmente, a dor vem acompanhada de icterícia leve a moderada, acolia fecal e colúria, sem prurido. Os surtos transitórios de dor biliar e icterícia flutuante devem ser diferenciados da icterícia permanente, que é mais comum em neoplasia de via biliar. Caso haja colangite associada, aparecem períodos de febre e calafrio.
Colangite é a infecção bacteriana do trato biliar e geralmente está associada a uma síndrome obstrutiva. Trata-se de uma emergência médica grave que, se não tratada rapidamente, pode levar a complicações fatais, como infecção generalizada, choque séptico, abscessos hepáticos e falência múltipla de órgãos.
Atividades médicas sempre hesitam entre o risco de correr e o risco de deixar de correr. Viver é o mais complexo ato do improviso.
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PÁGINA DO AUTORDoutor João Responde
A coluna “Doutor João Responde” é publicada todas as terças-feiras no Jornal A Tribuna e no Tribuna Online. O espaço trata de saúde e prevenção em linguagem acessível, onde esclarece dúvidas do público e comenta temas de saúde que estão em destaque no Espírito Santo.