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DIRETO DA REDAÇÃO

Oportunidades para o Brasil e para o Espírito Santo

Em evento do IBEF, o economista, cientista político e diplomata Marcos Troyjo analisou cenário mundial

Luciano Rangel | | Atualizado em
Direto da Redação

Luciano Rangel


          Imagem ilustrativa da imagem Oportunidades para o Brasil e para o Espírito Santo
“A geopolítica é o mais importante hoje”, afirmou Marcos Troyjo no Encontro IBEF-ES 2026 |  Foto: Kadidja Fernandes/AT

“O mundo para o qual nós precisamos nos preparar não é o mesmo da globalização. A economia mundial está passando por uma atualização do sistema operacional. Estamos em um mundo de geopolítica intensiva.”

O alerta é do economista, cientista político e diplomata Marcos Troyjo, principal convidado do evento organizado pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF-ES), realizado nesta quinta-feira, em Vitória.

O cenário global descrito por Troyjo nunca foi para amadores, mas o contexto atual demanda uma revisão abrangente das formas de pensar. Para ilustrar, ele citou o conceito ESG (Environmental, Social and Governance), ou, em português, Ambiental, Social e Governança.

Para o diplomata e economista, a sigla ESG poderia ganhar agora outro significado: “Economia, Segurança e Geopolítica”, os três pilares que, segundo ele, sustentam as relações internacionais e o mundo dos negócios entre empresas e nações.

“A geopolítica é o mais importante hoje”, sustenta. Dela se originam decisões que vão influenciar a micro e a macroeconomia.

Nesse cenário, China e Estados Unidos seguirão no protagonismo econômico mundial. O gigante asiático, claro, mereceu uma análise especial.

Troyjo lembrou a caminhada econômica chinesa, começando com Deng Xiaoping, no fim da década de 1970. “Capitalista ou comunista, para Deng, não importava a cor do gato, desde que caçasse ratos!”

“Até 1997, a economia brasileira era maior do que a da China. Hoje eles são oito vezes maiores”, lembrou.

Os chineses são ainda capazes de desafiar os Estados Unidos, como no episódio das tarifas de Trump, quando o presidente americano chegou a taxar produtos chineses em 145%. “Uma verdadeira quarentena econômica”, ironizou Troyjo.

Os chineses, porém, contrariando expectativas, contra-atacaram restringindo o fornecimento de minerais críticos, recursos essenciais para setores de ponta da tecnologia e da defesa e em cuja cadeia produtiva a China ocupa posição dominante.

Se os Estados Unidos foram obrigados a baixar o tom com a China, perde também quem aposta no declínio americano. Troyjo lembrou a pujança da economia dos Estados Unidos, ainda maior do que a de várias outras potências globais somadas.

Mais do que isso, os americanos se adaptam. Os Estados Unidos estão passando por um processo intenso de desregulamentação, desburocratização e corte de impostos, numa sinalização clara de prontidão para os novos cenários globais.

Voltando à China, o palestrante arrancou risos ao fazer uma comparação com eventos de motivação empresarial: “Imaginem aquelas camisas feitas para eventos com funcionários. A camisa da China teria, na frente, os dizeres: ‘Nós vamos fazer o possível para tornar o maior número possível de países dependentes da China’. E, do outro lado: ‘Vamos fazer o máximo possível para depender o menos possível do resto do mundo’.”

Com tudo isso, por que o cenário seria benéfico para o Brasil e para o Espírito Santo?

Para o Estado, porque ele se insere num cenário de boas práticas e de uma economia fortemente voltada para o resto do planeta.

Para o Brasil, num contexto maior, porque a nova revolução tecnológica difere daquela dos anos 1980: ela é absolutamente dependente de recursos naturais. “Trata-se de um cordão umbilical que cria grandes oportunidades para um país como o nosso.”

Ao final, respondendo a uma pergunta do economista Felipe Storch sobre como deveria ser o relacionamento do Brasil com as duas superpotências antagônicas, Troyjo recorreu à história da noiva com dois pretendentes: “Durante o baile, dançar com os dois. Mas, depois, subir sozinha para o quarto.”

A conclusão a que se chega é que entender o contexto e suas nuances geopolíticas, sem ingenuidades ou paixões políticas, será fundamental para definir o sucesso da inserção econômica do Espírito Santo e do Brasil no cenário internacional.

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