Não estávamos preparados para as bikes elétricas
Caso de atropelamento revelou falta de empatia e total desrespeito às leis de trânsito
Luciano Rangel
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Amanda Braga, de 34 anos, foi atropelada por uma bicicleta elétrica ao atravessar uma rua em Vila Velha. O drama que viveu nos meses seguintes ilustra o quanto a convivência com esse veículo, que rapidamente se tornou protagonista entre os meios de transporte urbano nesta década, passou a ser problemática nas ruas, ciclovias e calçadas.
O caso de Amanda, retratado na excelente reportagem da jornalista Beatriz Brandão em A Tribuna, ajuda a dimensionar o tamanho do desafio. A bicicleta elétrica seguia na contramão e em alta velocidade, evidenciando o desrespeito às leis de trânsito.
A falta de empatia e a omissão de socorro também marcam esse episódio. Além disso, o caso expõe um flanco jurídico ainda pouco explorado: a possível responsabilização civil do ciclista pelos custos de tratamento hospitalar, cirurgias e reabilitação da vítima.
As mortes e os acidentes com feridos graves mostram que as cidades brasileiras não estavam preparadas para a chegada das bikes elétricas. Como a tecnologia não espera, o choque tornou-se inevitável. Esses veículos circulam em alta velocidade pelos calçadões, colocando em risco crianças e idosos; disputam espaço com automóveis nas ruas e avenidas; e dividem as ciclovias com bicicletas convencionais, criando uma diferença de velocidade que aumenta o potencial de acidentes.
Se, por um lado, trazem transtornos, por outro oferecem vantagens inegáveis. São um meio de transporte ágil para quem vai à escola ou ao trabalho, além de reduzirem os gastos com deslocamento de milhares de famílias.
O sucesso desse mercado também é evidente na indústria. Entre janeiro e junho deste ano, as fábricas da Zona Franca de Manaus registraram aumento de 87,2% na produção em comparação com o mesmo período de 2025, fabricando mais de 34 mil bicicletas elétricas.
Se a produção acelera, é indispensável que a infraestrutura e as regras acompanhem esse ritmo. A boa notícia é que a Grande Vitória avança na interligação de ciclovias, um passo importante para a mobilidade urbana. Em contrapartida, ainda deixam muito a desejar o respeito às leis de trânsito, a empatia e a educação de parte dos usuários de bikes elétricas.
Desde 2024, foram registradas no Estado nove mortes e 70 lesões graves, enquanto o número de acidentes continua crescendo. A pergunta que fica é inevitável: quantas vítimas ainda serão necessárias para mudar essa realidade?
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