Calor mata milhares, e OMS pede cidades mais arborizadas
Nos últimos quatro anos, foram registradas mais de 200 mil mortes só na Europa
Luciano Rangel
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Mais uma temporada de verão com milhares de mortos por causa do calor na Europa levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a renovar os alertas sobre as graves consequências do aumento global das temperaturas.
Nos últimos quatro anos, foram registradas mais de 200 mil mortes no continente europeu, que concentra 37% das vidas perdidas em decorrência das altas temperaturas no mundo. É digno de nota que o número de mortes aumentou 30% nas últimas duas décadas e, para a OMS, a tendência é de agravamento nos próximos anos.
Em boletim global das Nações Unidas para a imprensa, o diretor regional da OMS para a Europa, Hans Kluge, afirmou que é um erro tratar as ondas de calor apenas como um fenômeno meteorológico, e não como uma emergência de saúde pública. Segundo ele, os governos precisam adotar medidas concretas para enfrentar o problema, reforçando o alerta da entidade de que "essas mortes não são inevitáveis".
E o que fazer? Para a OMS, ampliar o acesso à água e à sombra, além de preparar os sistemas de saúde antes dos períodos de calor extremo, pode salvar milhares de vidas.
Mais do que isso, a agência da ONU defende a adaptação das cidades, tornando-as mais frescas e arborizadas, com centros de monitoramento de idosos e reforço das equipes de saúde durante as ondas de calor.
O Brasil também contabiliza milhares de mortes associadas ao calor, segundo dados de fontes oficiais. As causas mais frequentes relacionadas às altas temperaturas são doenças cardiovasculares e respiratórias em idosos e casos de diarreia em crianças com menos de 10 anos, provocados pela desidratação.
Obviamente, as mortes são a consequência mais trágica dessa equação. Mas os efeitos das altas temperaturas vão além e comprometem também a qualidade de vida esperada em um ambiente urbano.
Diante da escalada das temperaturas e do envelhecimento da população, a pergunta é inevitável: até que ponto as cidades brasileiras estão se preparando para enfrentar essa nova realidade climática?
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