A saga do propé
Claudia Matarazzo
Dia desses, respondendo a uma pergunta de uma seguidora sobre protocolos de higiene para receber em casa, caí na besteira de dizer que o ideal era oferecer um propé para os convidados, no caso de muita gente entrando e saindo em reuniões familiares.
Propé: sapatinho descartável, sustentável, que médicos usam desde sempre em centros cirúrgicos para evitar levar bactérias. Leve, fácil de colocar, tamanho único e muito barato.
Recebi uma enxurrada de comentários que variavam do surreal ao hilariante: uns alegavam que não gostam de tirar os sapatos pois têm vergonha de furos na meia (para colocar o propé não precisa tirar o sapato, essa é uma das vantagens).
Outra perguntava o que fazer se não “havia feito as unhas dos pés”, e outra ainda dizia achar falta de educação o dono da casa pedir para usar… Afffff !
O assunto, que parecia tão inofensivo, atingiu tanto que resolvi elaborar, afinal, depois de 2020 mudamos nossos conceitos de higiene assim como a percepção do que pode ou não ser um risco, tanto de saúde quanto de sujar mais a casa.
Insegurança – Depois da pandemia é natural que muita gente queira adotar novos (e saudáveis) hábitos. Então vamos lá: pantufas ou chinelos personalizados não funcionam, pois obrigam a visita a tirar sapatos e ainda devolver na saída os mesmos. Mico.
Look destruído – Essa era a preocupação de uma das revoltadas. Ok, pode até não ficar o look completo, mas destruir é forçar a barra. Alguém que dependa de seus sapatos para se sentir segura merece pena…
Não estamos falando de vendar os olhos, amarrar os braços ou pedir que use uma armadura de metal. Apenas cobrir os pés…
Só para o sofá – Achei surreal. Uma anfitriã alegou que só distribuía o propé para quem fosse colocar os pés no sofá! Oi?!?! Quem acha normal ir na casa do outro e colocar sapatos sujos sobre o estofado? Aparentemente anda acontecendo muito….
Tapetes antibacterianos – Também foram sugeridos os tapetes tratados, mas já sabemos que uns passam o pé, outros não passam (ou passam mal) e a sujeira continua… 3 x 0 para o propé: além fácil de colocar, a pessoa não fica com a barra da calça roçando no chão.
A ironia – Vejo muita gente limpando obsessivamente seus cachorros: lencinhos ou álcool nas patas, focinho. E na hora de colocar uma proteção nos pés, embatucam?
É vontade implicar com o anfitrião. Que, em síntese, tem sido massacrado por gente pra lá de chata que acha que pode mandar ou botar-lhe o dedo na cara apenas porque sente que “tem direito à liberdade de fazer o que quer”.
Não tem. Na casa dos outros, as regras são deles. E temos que respeitar. Naturalmente é importante o dono da casa pedir as coisas com gentileza, mas ele tem precedência no “como fazer” em sua casa. Simples assim.
Sim, todos podemos ter opinião – e ainda bem – mas, se alguém nos convida, devemos respeitar seus hábitos. E, claro, se não estamos abertos a isso, mais vale não ir.
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Claudia Matarazzo,por Claudia Matarazzo