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19/01/2021, 17:24 h
| Atualizado em
19/01/2021, 17:48
Redação jornal A Tribuna
| Foto:
Divulgação
O acúmulo de gordura difícil de “queimar” com exercícios físicos em áreas específicas do corpo, por vezes com dores, é um possível indicativo de uma doença ainda pouco conhecida. Batizada de lipedema, ela pode afetar a funcionalidade e a qualidade de vida do paciente, além de ocasionar problemas psicológicos.
Também chamada de “síndrome da gordura dolorosa”, acomete principalmente os membros inferiores (pernas), criando um volume desproporcional com o resto do corpo.
José Marcelo Corassa, secretário geral da regional capixaba da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, explicou em entrevista ao AT em Família o que é o lipedema e as consequências com o avanço da doença.
AT em Família – O lipedema afeta apenas as pernas ou pode aparecer em outras partes do corpo?
José Marcelo Corassa – O lipedema afeta áreas específicas, como membros inferiores e superiores, mas está associado aos inferiores em grande parcela dos casos. Ocorre isoladamente nos membros superiores em apenas cerca de 18% das vezes.
Classicamente compromete os membros bilateralmente. São raros casos unilaterais.
Qual a diferença entre lipedema e acúmulo de gordura característico do excesso de peso?
O lipedema compromete os membros enquanto a obesidade tem deposição generalizada de gordura em abdômen, tronco, cabeça e pescoço.
Por que é mais comum em mulheres?
A doença está estreitamente ligada aos hormônios femininos com sua influência sobre os vasos e o tecido adiposo.
Quais são os principais sintomas?
Inicialmente há aumento de volume de membros com aspecto uniforme, pouco edema vespertino, às vezes sem dor, mas com sensação de peso.
Com a evolução, surgem nódulos semelhantes à celulite e fibrose, que dificulta a perda de peso. Geralmente há sensação de peso, dor ao toque e hematomas e equimose frequentes devido à fragilidade capilar venosa.
Com o avanço da doença, os nódulos se tornam maiores e mais dolorosos com formação de bolsas de gordura, principalmente em culotes e joelhos. Pode evoluir para lipolinfedema, comprometendo pés e mãos.
Às vezes, os sintomas são atribuídos às varizes, sendo erroneamente tratadas.
É comum pessoas se tratarem por falta de informação?
O estudo do lipedema como patologia única é recente. Antes era considerado simplesmente deposição de gordura que resistia aos tratamentos convencionais para redução de peso e tinha resultados desanimadores com lipoaspiração mal indicada. Não havia uma visão realista do problema, levando a variados tratamentos malsucedidos.
A doença afeta a funcionalidade e a qualidade de vida?
Nas fases iniciais, tem apenas o incômodo estético, às vezes acompanhado de discretos sintomas. Com a evolução, os sintomas comprometem a qualidade de vida e o relacionamento sexual e familiar e podem provocar baixa autoestima e crises de ansiedade.
Massas de gordura dolorosas em torno das articulações alteram a mecânica articular e desviam o eixo ortopédico gerando artrose e lesões musculares e tendinosas.
A doença pode ainda ser acompanhada de problemas psicológicos, como depressão, compulsão alimentar, abuso de drogas e álcool e tentativas de suicídio. Além de piorar distúrbios endócrino metabólicos.
É possível recuperar a aparência e o contorno de antes?
Em fases iniciais sim, mas o lipedema não tem cura, só controle. Exige disciplina e comprometimento para reduzir os sintomas e as complicações. Devemos alertar que não existem tratamentos milagrosos nem aparelhos salvadores, portanto deve haver cuidado com promessas de charlatões.
Saiba mais
Evolução da doença
O depósito de gordura inicialmente é uniforme.
No início, não compromete mãos e pés e ainda há nítida separação entre perna e pé, e braço e mão.
Pode ser acompanhada de edema principalmente vespertino e dor difusa que piora ao toque.
Com evolução, surgem nódulos e fibrose, sensação de peso, hematomas e outros sintomas.
Pergunta dos leitores
| Foto:
Jornal A Tribuna
Fique por dentro
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Ilustração: André Felix/AT
Lipedema é a deposição de gordura em áreas específicas do corpo, como membros inferiores (principalmente culote) e superiores, em muitos casos associadas.
Aparece geralmente na menarca ou gestação, piorando a cada episódio de pico hormonal e também na menopausa.
O diagnóstico é clínico pela história e exame físico. Exames específicos são usados para definir parâmetros de distribuição de gordura e massa magra, e avaliar resultado de tratamento.
A causa do lipedema não está estabelecida definitivamente, mas alterações hormonais , obesidade, história familiar de linfedema (condição é causada por uma obstrução no sistema linfático) podem contribuir para o aparecimento da doença.