Superfície dos oceanos tem a segunda mais alta temperatura já registrada
Em grande parte do Pacífico tropical, da linha do Equador até a costa dos Estados Unidos, as marcas verificadas foram recorde
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O mês de abril confirmou a tendência de aquecimento da superfície dos oceanos neste ano com o registro da segunda temperatura mais alta da história. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (8) pelo serviço Copernicus, da União Europeia, que monitora a mudança climática no planeta.
A média de temperatura da superfície dos oceanos no mês de abril foi de 21°C, inferior apenas à marca registrada no mesmo mês em 2024, o ano mais quente da história. Em grande parte do Pacífico tropical, da linha do Equador até a costa dos Estados Unidos, as marcas verificadas foram recorde.
A variável, que por padrão exclui as regiões polares, é um indicador importante do aquecimento global, provocado sobretudo pela queima de combustíveis fósseis. Cerca de 90% do excesso de calor gerado pela atividade humana é absorvido pelos mares.
Previsto para iniciar novo ciclo nos próximos meses, o fenômeno El Niño foi um dos motores para o recorde de há dois anos. A ocorrência da condição climática já foi confirmada pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e sinaliza para a possibilidade de novos recordes de temperatura no planeta.
Segundo o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF, na sigla em inglês), abril deste ano também foi o terceiro mais quente globalmente, com a marca de 14,89°C —0,52°C acima da média do mês verificada entre 1991 e 2020.
O ano de 2024 também foi responsável pelo abril mais quente da história, seguido pelo do ano passado. Uma olhada no quadro histórico de temperaturas da superfície oceânica sugere que o restante de 2026 deve seguir por caminho parecido ou ainda pior.
"Abril de 2026 reforça o sinal evidente de aquecimento global contínuo", declarou Samantha Burgess, líder do ECMWF. "As temperaturas da superfície do mar ficaram próximas a níveis recordes, com ondas de calor generalizadas, e o gelo marinho do Ártico permaneceu bem abaixo da média."
No Ártico, a extensão de gelo marinho no mês passado ficou 5% abaixo da média, registrando o segundo pior valor para essa época do ano (6%, em 2019). Na Antártida, a extensão mensal de gelo marinho ficou cerca de 10% abaixo da média de abril, próxima dos valores observados nos últimos dois anos.
"Sinais característicos de um clima cada vez mais marcado por extremos."
No auge da primavera, a Europa serve como exemplo da observação da especialista, com diversos contrastes regionais. Segundo o Copernicus, calor acima da média no sudoeste do continente e condições mais frias do que o habitual em grande parte do leste europeu.
El Niño é um fenômeno cíclico que corresponde ao aquecimento periódico em larga escala das águas de parte do Pacífico, processo que afeta o clima mundial durante vários meses. O último episódio, em 2023 (1,48°C acima do período pré-industrial) e 2024 (1,55°C, acima do limite imposto pelo Acordo de Paris), fez com que esses anos fossem os dois mais quentes já registrados.
Surpreendeu os cientistas o fato de 2025, marcado pelo La Niña, em que a tendência seria de resfriamento, ter registrado a terceira maior média de temperatura da história (1,47°C). Não por coincidência, o recorde de emissões de combustíveis fósseis foi estabelecido no ano passado. Assim como os últimos 11 anos se tornaram os 11 mais quentes da história.
A despeito das evidências e dos alertas da ONU, em novembro, a COP30, em Belém, foi incapaz de alcançar um consenso sobre um mapa do caminho para o fim dos combustíveis fósseis. Líder da iniciativa, o Brasil prometeu apresentar um roteiro próprio até fevereiro, mas divergências internas do governo Lula inviabilizam o documento até aqui.
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