Vida ativa para envelhecer bem
Médicos apontam prevenção, exercícios e vida social como chaves para chegar bem aos 80 e 90 anos
Envelhecer não deve ser sinônimo de ficar doente. E para chegar à terceira idade com saúde, o segredo, segundo médicos, é manter uma vida ativa.
A geriatra Yara Nippes explica que, mesmo com as mudanças naturais que o corpo sofre com o passar dos anos, adotar hábitos saudáveis faz toda a diferença.
“É perfeitamente possível chegar aos 80 ou 90 anos mantendo uma vida ativa, desde que haja prevenção, diagnóstico precoce e cuidado com alimentação, atividade física, sono, saúde mental e controle das doenças crônicas”.
E mesmo que a pessoa não tenha tomado esses cuidados ao longo da vida, nunca é tarde para começar.
“Estudos mostram que mudanças realizadas mesmo após os 60 ou 70 anos podem reduzir o risco de doenças, melhorar a força muscular, o equilíbrio, a memória e até aumentar a expectativa de vida”, acrescenta Yara.
A prática regular de exercícios físicos, por exemplo, é uma das principais formas de prevenir a osteoporose, doença que causa perda de massa óssea e aumenta o risco de fraturas, explica a reumatologista Érica Serrano.
“Mesmo que essa perda seja comum com o envelhecimento, já sabemos que é possível reduzir a velocidade desse processo praticando exercícios de força”.
Os benefícios vão além da saúde física e ajudam a manter a saúde mental em dia. De acordo com a psicóloga Clislaine Oliveira, tanto se exercitar quanto aprender coisas novas podem ajudar a combater a depressão, condição muito frequente entre idosos.
“Estar inserido em grupos, conviver com a família, ter momentos de lazer e manter uma rotina com propósito são os melhores protetores da saúde mental”.
O mesmo vale para o Alzheimer. A neurologista Sonia Maria Brucki, membro da Academia Brasileira de Neurologia, explica que estar envolvido em atividades como aulas de música, clubes de leitura e cursos ajuda tanto a prevenir como retardar o avanço da doença.
“Essas atividades ajudam a estimular o cérebro e a formar uma reserva cognitiva, permitindo que ele compense por mais tempo as alterações que são provocadas pela doença”.
Por isso, mesmo após o diagnóstico, é essencial que o idoso permaneça socialmente ativo. “O isolamento não ajuda. É ideal que sejam mantidas as atividades com supervisão”, diz a médica.
Mais disposição
A cuidadora Fátima da Silva, 71 anos, começou a fazer musculação após a indicação do seu cardiologista.
Após dois anos praticando exercícios regularmente no Centro de Treinamento Brothers, em Vila Velha, com o educador físico Jonas Ferreira, ela diz que se sente mais disposta e saudável.
“Minha vida mudou. Hoje eu tenho mais disposição e me sinto mais forte. Por conta dos exercícios, até minha alimentação melhorou, ajudando a cuidar do diabetes”, afirmou.
Além dos exercícios, a musculação também ajudou a fazer novas amizades. “Criamos até um grupo e agora marcamos de passear juntas”.
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