Uso de bike elétrica reduz procura por corridas de aplicativo
Sindicato da categoria registra redução de 30% no número de chamados. Trechos curtos e rotineiros são os mais afetados
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O crescimento do uso de bicicletas elétricas e autopropelidos no Estado tem provocado mudanças no comportamento da mobilidade urbana. Um dos impactos é a diminuição da procura por corridas de aplicativo.
Trajetos curtos, antes feitos por carro ou moto de aplicativo, agora passaram a ser substituídos pelas bikes elétricas, principalmente entre estudantes e trabalhadores.
De acordo com Gessé Gomes Junior, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras por Aplicativos no Espírito Santo (Sintappes), bairros como Jardim Camburi, Jardim da Penha, Praia do Canto e Bento Ferreira já registram queda significativa nos chamados.
“Tem uma redução próxima de 30% nos chamados. Vamos fazer um cálculo simples: se nós temos 3 mil motoristas ativos no Espírito Santo e, por hora, eles fazem 3 corridas, são 9 mil corridas. Então, nós perdemos aproximadamente 2.250 corridas pequenas”, calcula Gessé.
Segundo ele, a maior redução acontece em corridas curtas e rotineiras, especialmente em horários de entrada e saída de escolas. “Além disso, há ainda aqueles profissionais que começaram a enfrentar retenção no trânsito e decidiram investir em uma bike elétrica”, explicou.
O representante do sindicato afirma que, em 2025, somente em Vitória, já existiam cerca de 15 mil bikes elétricas em circulação.
Com a redução do número de usuários frequentes ao longo do dia, os preços tendem a ser maiores em períodos de alta demanda, como em dias de chuva ou mudanças climáticas, já que muitos usuários deixam de usar as bikes elétricas nesses momentos e recorrem novamente aos carros e motos.
“Vai impactar o preço porque havia uma demanda e ela abaixa. Sazonalmente aumenta. Isso desmobiliza o trabalhador e gera disputa, consequentemente com preço maior para o usuário na hora em que ele depender especificamente do transporte por carro ou moto”, concluiu.
Apesar do impacto, Gessé acredita que o mercado deve encontrar um equilíbrio entre os diferentes meios de transportes. Ele lembrou, por exemplo, do momento em que o táxi enfrentou a chegada dos aplicativos de mobilidade urbana.
Economia de tempo e de dinheiro
Há três meses, o aposentado Sérgio Luiz Pinter, de 63 anos, trocou as corridas por aplicativo pela bicicleta elétrica e garante que a mudança trouxe economia de tempo e dinheiro.
Morador da Praia da Costa, em Vila Velha, ele costuma utilizar a bike para visitar familiares e resolver questões em Jardim Camburi, em Vitória.
“Quase nem uso mais aplicativo. A bicicleta facilita muito”, afirmou.
Apesar da praticidade, Sérgio alerta para a necessidade de mais cuidado no trânsito. “Os mais jovens estão abusando um pouquinho”, disse.
Mais agilidade
Morador de Vitória, o profissional de educação física Elthon Barbosa, de 24 anos, trocou boa parte das corridas por aplicativo pela bicicleta elétrica.
Há cerca de um ano, decidiu investir no veículo para ganhar mais agilidade no dia a dia e economizar. Segundo ele, a bike passou a ser utilizada principalmente nos trajetos para o trabalho e para a praia.
“Já tive moto, mas hoje prefiro a bicicleta pela segurança e pela economia”, contou.
Natural da Bahia, Elthon afirma que Vitória possui mais ciclovias e sensação de segurança maior para pedalar.
“Gastava uma hora e meia”, diz doméstica sobre trajeto até o trabalho
A doméstica Elizabeth Jesus Santos, de 51 anos, reduziu drasticamente o uso de ônibus e corridas por aplicativo depois que comprou uma bicicleta elétrica. Ela faz diariamente o trajeto entre Ilha do Frade, em Vitória, e Jardim Carapina, na Serra, utilizando a ciclovia e afirma que o tempo de deslocamento caiu bastante.
“De ônibus eu gastava uma hora e meia. Agora faço em 15 ou 20 minutos no máximo”, contou. Além da economia, Elizabeth diz que a mudança trouxe mais praticidade e até mais tranquilidade durante o percurso pela cidade.
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