Sobreviventes de acidentes com motos lutam contra dores e depressão
Casos de depressão e ansiedade são frequentes após os traumas. Samu atendeu mais de 3 mil acidentes este ano no Espírito Santo
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Sobreviver a um acidente de moto é, muitas vezes, só o começo de uma longa batalha. Entre dores crônicas, limitações físicas e o peso emocional do trauma, vítimas enfrentam um dia a dia marcado por desafios que vão muito além da recuperação no hospital.
Segundo dados do Samu, foram realizados no ano passado 13.084 atendimentos envolvendo ocorrências com motocicletas em todo o Espírito Santo. Já este ano, entre janeiro e março, foram 3.227 atendimentos.
Uma das vítimas foi a assistente de vendas Mhayara Baldon Patrício, de 36 anos. Ela viu a rotina mudar completamente após um acidente de moto ocorrido há um ano.
“O carro que estava na minha frente parou bruscamente e, para não bater, eu freei e a moto deslizou, caindo sobre o meu pé. Achei que tinha sido só um machucado simples, mas acabou sendo mais sério”, contou.
Mhayara relatou que foi socorrida para o Hospital São Lucas, onde descobriu que teria que passar por cirurgia. O tratamento foi longo e exigiu paciência. Foram 22 dias até a cirurgia, além de semanas sem poder apoiar o pé no chão, e fisioterapia.
Acostumada a uma rotina intensa como gestora de eventos, ela precisou interromper o trabalho e lidar com a limitação física e o impacto emocional. “Eu não consigo ficar parada, então foi muito difícil”, relatou.
Hoje, já quase recuperada e em outra profissão, Mhayara ainda sente dores e desconfortos, mas voltou a andar e até a pilotar – agora, com mais cautela.
O presidente fundador do Sindicato dos Motociclistas Profissionais do Espírito Santo (Sindimotos-ES), Alexandro Martins Costa, afirmou que, além das sequelas físicas, muitos motociclistas enfrentam impactos emocionais duradouros.
“Temos muitos casos de depressão e ansiedade depois dos acidentes, principalmente quando há perda de movimento ou mutilações”, afirmou.
O chefe da subseção de Comunicação Social do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), 1º Tenente Lucas Gabriel Lourenço, destacou que as motocicletas e motonetas são veículos que, por sua própria estrutura, acabam deixando os seus ocupantes mais vulneráveis.
“Não possuem, por exemplo, para-choque ou qualquer lataria que sirva para minimizar o impacto de um choque. Além disso, também são veículos mais ágeis em que os condutores se sentem mais confiantes para realizarem algumas manobras.”
Ele enfatizou que o condutor precisa saber que, mesmo estando certo, em um sinistro quem provavelmente será o maior prejudicado será ele.
Saiba Mais
Atendimentos em acidentes com motos
Atendimentos do Samu no Espírito Santo
- 3.227 em 2026
- 13.084 em 2025
Gravidade dos acidentes
- Com vítimas fatais - 17,8%
- Com vítimas feridas - 44,3%
- Sem feridos - 37,9%
Envolvidos em acidentes - Por sexo
- Homem - 67,5%
- Mulher - 17,3%
- Sem informação - 15,2%
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