'Sempre foi apaixonada pela vida', diz ex-marido de ciclista atropelada no ES
Gabriela Sartório morreu nessa sexta, aos 45 anos. Motorista do veículo envolvido no acidente admitiu ter bebido e estava com a habilitação vencida
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Depois de três dias lutando pela vida, foi confirmada nessa sexta-feira (24) a morte da universitária Gabriela Sartório, de 45 anos. Internada desde terça-feira (21) após um acidente de bicicleta em Vitória, ela passou a integrar uma estatística que preocupa: já são 15 mortes de ciclistas no Espírito Santo somente este ano.
Gabriela foi atingida por um carro, por volta das 6h, enquanto pedalava pela avenida Norte-Sul, em Jardim Camburi, em Vitória. O motorista do veículo, de 26 anos, admitiu ter ingerido bebida alcoólica e foi preso após realizar o teste do bafômetro. Ele também estava com a carteira de habilitação vencida há mais de 30 dias.
Segundo a ocorrência da Polícia Militar, Gabriela Sartório andava de bicicleta na faixa da direita da avenida, já que a ciclovia na região foi interditada por causa das obras do Mergulhão de Camburi. O condutor do automóvel seguia no sentido praia – também na faixa da direita – e disse só ter sentido o impacto contra a bicicleta.
Com o choque, Gabriela caiu e bateu a cabeça. Ela foi socorrida pelo Samu e levada ao Hospital Estadual de Urgência e Emergência “São Lucas”. Nessa sexta, foi confirmada a sua morte cerebral.
Gabriela cursava Nutrição e deixou quatro filhos, duas meninas ainda pequenas, de 7 e 9 anos, e dois jovens, de 19 e 22 anos. Até a noite dessa sexta, não havia informações sobre o velório e o sepultamento da universitária, já que a família decidiu doar os órgãos.
Nas redes sociais, houve grande comoção. Amigos e familiares fizeram homenagens a Gabriela, descrita por todos como uma apaixonada por esportes e pela vida.
A Polícia Civil informou que o condutor, de 26 anos, conduzido à Delegacia Regional de Vitória, foi autuado em flagrante por praticar lesão corporal culposa na direção de veículo automotor com o agravante de conduzir o veículo com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool. Ele foi encaminhado ao sistema prisional.
O advogado do motorista, Gilvan Carlos Motta, afirmou que o cliente contou que vinha da Serra em direção a Vitória. “Ele estava em velocidade compatível com a via e relatou que, ao colidir com a vítima, parou e prestou socorro”. Segundo o advogado, seu cliente está abalado com a situação.
“A Gabriela sempre foi apaixonada pela vida”, diz ex-marido
Sem acreditar na morte da universitária Gabriela Sartório, seu ex-marido, o personal trainer Renato Pianca, 39 anos, conversou nessa sexta com a reportagem de A Tribuna e revelou que a viu minutos antes do acidente e nem imaginava que seria uma despedida.
A Tribuna - Vocês tinham uma boa relação, apesar de não estarem mais juntos?
Renato Pianca - Sim, a gente era bem amigo. Ficamos 10 anos juntos e agora já faz um ano que a gente estava separado.
Teve contato recente com ela?
Sim. Nós dois morávamos no mesmo condomínio. Antes do acidente, ela passou aqui para pegar um fone pra ir correr.
Ela costumava pedalar por ali? Conhecia bem a região?
Conhecia muito bem, como a palma da mão. Ela passava por ali no mínimo duas vezes por dia porque ia correr cedo ou ia pra natação que ela fazia no mar. E depois ela ia à tarde para academia.
Ela sempre andava de bicicleta?
Sempre de bicicleta. Pra cima e pra baixo.
Já tinha se envolvido em algum acidente antes?
Não. Ela era uma ciclista experiente, mas eu já tinha conversado com ela sobre final de semana. Dizia para ela ter mais atenção por causa de motoristas alcoolizados.
Você já havia alertado sobre esse risco?
Eu conversei com ela várias vezes. Disse que final de semana, apesar de ter menos movimento, é mais perigoso porque as pessoas saem da festa alcoolizadas. E acabou acontecendo essa tragédia.
Ela era uma pessoa era muito ativa?
A Gabriela praticou atividade física a vida toda. Não a conhecia de outra maneira. A gente se conheceu através de atividade física.
Ela mantinha essa rotina intensa?
Sempre, sempre. Nunca deixou de treinar, de correr... Ela era apaixonada por atividade física. A Gabriela era apaixonada pela vida, na verdade.
Como ela vivia?
Ela vivia a vida de forma intensa, tanto em atividade física como em amizades.
Como você a descreve?
Se a vida fosse medida por amor, a Gabriela ia viver eternamente. Ela não morreria nunca.
As crianças (filhos) já sabem?
Sim, as menores ficaram sabendo agora (noite de sexta-feira).
Como elas estão?
Ainda não entendem tanto a dimensão.
A família decidiu doar os órgãos?
Sim. Está nesse processo ainda e por isso ainda não temos a data do sepultamento.
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