Corpus Christi: “enquanto viver, vou fazer os tapetes de Castelo”, diz organizador
Declaração é de Luciano Travaglia, um dos organizadores da festa de Corpus Christi, que atua há 60 anos no evento
Há seis décadas, o empresário Luciano Travaglia dedica parte da própria vida à confecção dos tapetes da tradicional Festa de Corpus Christi em Castelo, Região Sul do Espírito Santo, desde a sua 3ª edição. Aos 67 anos, ele guarda na memória as lembranças de uma tradição que acompanha desde a infância, quando ajudava a recolher folhas, ciprestes e outros materiais utilizados para ornamentar as ruas da cidade.
Hoje, à frente do Instituto Cultural Irmã Vicência (ICIV), Luciano resume sua relação com a celebração em uma frase que carrega o peso de uma vida inteira de fé e devoção.
“Enquanto viver, vou fazer os tapetes de Castelo”, afirma.
A ligação começou cedo, segundo ele. Ainda menino, aos 7 anos, ele saía da escola e seguia para a antiga capela onde ajudava voluntários na preparação dos tapetes. As mãos ficavam marcadas pelo trabalho, mas ele relata que a sensação era de alegria.
“Os adultos derrubavam os galhos e nós passávamos horas retirando as folhas. No fim do dia, as mãos ficavam verdes e machucadas, mas ninguém reclamava”, recorda.
As lembranças também incluem as caminhadas até o seminário para recolher ciprestes, um dos materiais mais utilizados nas primeiras décadas da celebração.
“Enchíamos sacos e mais sacos. Muitas vezes mal conseguíamos segurar o lápis na escola no dia seguinte, mas aquilo era gratificante”, conta.
Ao longo dos anos, Luciano acompanhou a transformação da festa e a história dele também se cruza com a da Irmã Vicência, religiosa considerada a idealizadora da tradição em Castelo.
Por influência da madrasta, Terezinha Lúcia Marques, uma das colaboradoras mais próximas da irmã, Luciano conviveu de perto com a religiosa e acompanhou parte do trabalho desenvolvido por ela junto às famílias da cidade.
“Ela tinha uma capacidade impressionante de mobilizar as pessoas. Tudo era feito com muito amor, dedicação e fé”, lembra.
Depois de passar alguns anos afastado da organização direta dos tapetes por causa do trabalho, Luciano voltou a assumir papel de protagonismo na festa. Em 2023, aceitou o convite para presidir o Instituto Cultural Irmã Vicência e liderar a organização da festa.
“O Corpus Christi nasceu para falar de Cristo. Nosso objetivo é resgatar essa essência”, finaliza.
“É uma forma de agradecer a Deus”, diz o empresário Luciano Travaglia
A Tribuna - Qual é a primeira lembrança que o senhor tem dos tapetes de Corpus Christi?
Luciano Travaglia - Lembro de sair da escola e correr para ajudar os adultos a preparar os materiais. A gente passava horas retirando folhas dos galhos de manga e enchendo sacos de ciprestes. Eu era criança, mas já sentia que estava participando de algo muito importante para a cidade.
O que mais marcou sua infância durante os preparativos da festa?
As mãos ficavam verdes e machucadas de tanto trabalhar. Muitas vezes mal conseguíamos segurar o lápis na escola no dia seguinte. Mesmo assim, era uma felicidade enorme. Havia um sentimento de união muito forte entre as famílias.
Depois de mais de 60 anos acompanhando a celebração, o que mudou?
A estrutura cresceu muito. Hoje temos milhares de voluntários, toneladas de materiais e visitantes de várias partes do Brasil. Mas a essência continua a mesma: a fé em Jesus Cristo e a vontade de servir.
O que sente ao ver a procissão passando sobre os tapetes?
É impossível não se emocionar. Quando vejo o Santíssimo percorrendo aquelas ruas e milhares de pessoas acompanhando a procissão, sinto uma gratidão enorme por fazer parte dessa história.
O que significa dizer que “enquanto viver, vou fazer os tapetes de Castelo”?
Significa compromisso. Corpus Christi faz parte da minha vida desde a infância. É uma forma de agradecer a Deus por tudo o que recebi. Enquanto eu tiver forças, vou continuar ajudando a manter viva essa tradição que pertence a todo o povo de Castelo.
Confira a programação desta quinta-feira
Vitória
Paróquia Sagrada Família (Jardim Camburi)
Missa às 17h e procissão com o Santíssimo. Os tapetes estarão na rua Belmiro Teixeira e em frente à igreja.
Paróquia São Pedro (Praia do Suá)
Missa e procissão em honra ao Santíssimo Sacramento às 17h.
Paróquia São Pedro (Vila Rubim)
Visitação aos tapetes das 8h às 15h e missa às 16 horas, seguida de procissão. Os tapetes estarão na Ponte Seca, na Vila Rubim.
Paróquia São Camilo de Lellis (Mata da Praia)
Às 17h, missa seguida por procissão. Visitação aos tapetes no calçadão de Camburi, na altura da Mata da Praia.
Paróquia Santa Luzia (Barro Vermelho)
A missa solene será às 8h30, com procissão do Santíssimo. Às 19 horas, será celebrada missa solene com bênção do Santíssimo.
Vila Velha
Paróquia São Francisco de Assis (Itapuã)
Haverá adoração ao Santíssimo das 10h às 14h, missa às 16h e procissão. Av. Doutor Jair de Andrade, da rua Francilina Setúbal até a rua Curitiba.
Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe (Praia de Itaparica)
Às 16 horas será realizada a celebração eucarística, seguida de procissão no entorno da igreja.
Serra
Paróquia Sagrados Corações de Jesus e de Maria (Barcelona)
O tapete ficará exposto durante todo o dia. Haverá missa às 9h e, às 18h, missa seguida de procissão e programação musical. À noite, a celebração começa na Praça Padre Gessimar e segue em procissão até a Matriz.
Paróquia São Pedro (Jacaraípe)
Missa às 17 horas, seguida de procissão. A confecção dos tapetes será entre as ruas Teresina e do Banco do Brasil.
Cariacica
Paróquia Santa Maria Goretti (Jardim América)
Santa missa e procissão às 9h, pelas ruas próximas à Igreja Matriz, retornando para a própria matriz.
63ª Festa de Corpus Christi (Castelo)
Nesta quinta, missas às 7h, 9h, 10h30 e 12h. O momento principal é às 16 horas, quando acontece a missa campal seguida da procissão sobre os tapetes, no Centro.
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