ANÁLISE | Víctor Fontes: "Brasil chega à semana da Copa sem time definido"
Chegamos a apenas cinco dias da estreia contra Marrocos sem saber quem ocupará o lado direito da defesa: Danilo ou Ibañez
Depois de um ano no comando da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti ainda parece estar em busca da escalação ideal para iniciar a Copa do Mundo. O treinador não definiu se o Brasil atuará no 4-2-4 ou no 4-3-3.
Sua ideia inicial aponta para uma equipe com quatro zagueiros na linha defensiva, dois volantes e quatro atacantes. No entanto, os amistosos mais recentes, contra Panamá e Egito, mostraram que esse não é, necessariamente, o esquema que melhor funciona em campo.
As boas atuações de Paquetá e Danilo Santos, somadas ao poder de decisão de Endrick, deixaram uma pulga atrás da orelha de Ancelotti e o obrigaram a pensar fora da própria caixinha.
E quando o italiano parecia inclinado a utilizar um meio-campo com três jogadores e um lateral-direito de origem, Wesley acabou sendo cortado inesperadamente. Com isso, Ancelotti voltou a considerar alternativas mais próximas de sua ideia inicial.
Assim, chegamos a apenas cinco dias da estreia contra Marrocos sem saber quem ocupará o lado direito da defesa: Danilo ou Ibañez. Tampouco está definido quem será o escolhido para a lateral esquerda, entre Alex Sandro e Douglas Santos, já que ambos foram testados ao longo da preparação.
Do meio para frente, Casemiro, Bruno Guimarães, Raphinha e Vinicius Júnior parecem ter lugar garantido diante dos marroquinos. As duas vagas restantes devem ficar entre Paquetá, Igor Thiago, Luiz Henrique e Matheus Cunha.
Minha impressão é que Paquetá e Matheus Cunha começam jogando, em uma decisão que combina com o perfil mais conservador e pragmático de Ancelotti. Mas, pelo que mostrou nos amistosos, quem mais fez por merecer uma vaga entre os titulares foi Endrick. Jovem, iluminado e decisivo.
Diante de tantas indefinições, o Brasil precisa estar atento. Marrocos, quarta colocada na última Copa do Mundo, chega com fome para provar que já faz parte da elite do futebol mundial. Tem um time mais definido, uma identidade de jogo consolidada e a força física característica das seleções africanas.
E olho também na Escócia. Sem o mesmo brilho dos favoritos, mas organizada e competitiva, a equipe aplicou duas goleadas nos amistosos da semana e pode ser uma pedra no sapato de qualquer adversário.
A Seleção Brasileira segue sendo uma das postulantes ao título. Mas, a poucos dias da estreia, a sensação é que Ancelotti ainda procura respostas para perguntas que precisavam estar resolvidas há algum tempo.
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