Pesquisa mostra que 17% dos alunos sofrem humilhação nas escolas
Dado é do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, que registrou a situação em adolescentes de 15 anos
Entre provocações constantes nas escolas e ataques que se estendem por aplicativos de mensagens e redes sociais, o bullying continua a ser realidade enfrentada por muitos adolescentes no País.
Dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) – principal avaliação internacional de aprendizagem, conduzida pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – apontaram que 17% dos estudantes de 15 anos disseram ter sido vítimas de alguma forma de bullying algumas vezes por mês ou com maior frequência.
O índice ficou abaixo dos 20%, que foi a média em países da OCDE. Ao todo, os números trazem o desempenho de 91 países ou regiões.
Os resultados do Pisa 2025 – divulgados essa semana – ainda revelam que a incidência de bullying não mudou de forma significativa no Brasil entre 2022 e 2025. Já na maioria dos países e economias participantes o problema aumentou no mesmo período.
Outra realidade apresentada pelo Pisa é o cyberbullying. No Brasil, 3% dos estudantes revelaram que foram publicadas na internet informações que os incomodavam ou prejudicavam, sem consentimento, pelo menos algumas vezes por mês nos 12 meses anteriores à aplicação do Pisa. A proporção é exatamente a mesma registrada na média da OCDE.
Na escola estadual Mário Gurgel, em Jabaeté, Vila Velha, a equipe de Ação Psicossocial e Orientação Interativa Escolar (Apoie) e a equipe pedagógica têm desenvolvido ações voltadas para a temática do bullying.
A coordenadora pedagógica da unidade, Sarah Cotta Zanardo Aureliano, contou que um dos projetos, inicialmente, tem sido direcionado às turmas da 1ª série do ensino médio.
“Como parte da proposta, os estudantes foram encaminhados ao auditório da escola para participar de um momento formativo, seguido da realização de oficinas e atividades interativas, com o objetivo de promover a reflexão sobre o bullying, suas consequências e a importância do respeito às diferenças e da convivência saudável no ambiente escolar”, disse ela entre o assistente social Yuri Vicente Pinheiro e a psicóloga Luiza Gonçalves Santos.
Ela contou que a equipe Apoie também realizou intervenções individuais com estudantes envolvidos em situações de bullying.
Bullying em escola de elite
Em um desabafo nas suas redes sociais, a ex-panicat e ex-BBB Jaque Khury revelou na quinta-feira (10) que o filho, Gael, de 12 anos, sofreu bullying durante dois anos em uma escola considerada de elite em Atibaia, no interior de São Paulo.
Segundo Jaque, ela decidiu tirar o filho da instituição depois de tentar por diversas vezes resolver episódios de bullying internamente. “Não tive sangue frio de deixar meu filho sofrer. Mudei ele para uma escola mais simples e estou amando”.
Aprendizagem
“Das muitas críticas que posso ter com relação ao Pisa, abordar questões de bullying e cyberbullying é muito assertivo. Violências que acontecem nas escolas impactam diretamente na aprendizagem. Porque aprender está relacionado a como o ambiente está construído para que o professor possa transmitir o conteúdo da melhor maneira e o aluno possa assimilá-lo também de melhor maneira. Precisamos falar mais sobre isso”. diz Irene Reis, especial. em Neurociência e Comportamento, Inteligência Emocional e Saúde Mental.
Saúde pública
“Os dados apontam que quase um em cada seis adolescentes sofrem bullying com frequência. Isso mostra que certas violências continuam sendo tratadas como brincadeira. Quando acontece com frequência, não é um problema apenas entre dois alunos, mas de todo o ambiente escolar. É uma questão de toda sociedade e de saúde pública”, destaca Kamila Vilela, psicóloga e doutoranda em Psicologia.
Cultura de respeito
“O Brasil tem a lei nº 13.185/2015, que instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying). Apesar do Direito ter instrumentos eficazes para a responsabilização dos responsáveis, o enfrentamento mais eficiente ao bullying continua sendo a prevenção, a presença da família, a atuação efetiva da escola e a construção de uma cultura de respeito”, pontua Alexandre Dalla Bernardina, doutor em Direito, procurador do Estado e advogado.
Pisa
O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes é uma prova internacional que mede o desempenho de estudantes de 15 anos em Matemática, Leitura e Ciências.
Pela primeira vez, o exame também avaliou a competência de aprendizagem no mundo digital.
estruturado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o estudo é realizado a cada três anos. A edição de 2025 contou com 760 mil estudantes de 91 países e economias.
Bullying
Estudantes que relataram ter sido vítimas de pelo menos uma forma de bullying algumas vezes por mês ou com maior frequência:
- Brasil: 17%.
- Média dos países da OCDE: 20%.
Cyberbullying
Estudantes que relataram que informações que os incomodavam ou prejudicavam foram publicadas sobre eles na internet, sem consentimento, pelo menos algumas vezes por mês nos 12 meses anteriores ao teste:
- Brasil: 3%.
- Média da OCDE: 3%.
Uso de IA
48% dos estudantes brasileiros afirmam usar chatbots de Inteligência Artificial ao menos uma vez por semana para tarefas escolares.
46% é a média dos países da OCDE.
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