PCPE afasta servidores por fraude em emplacamento de veículos no Detran-PE
Um dos investigados foi preso preventivamente e identificado como réu em mais de 18 processos similares
A Operação de Repressão Qualificada Dupla Identidade, deflagrada pela Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) nesta terça-feira (28), mirou um esquema criminoso que tinha como objetivo fraudar o processo de primeiro emplacamento de veículos no Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco (Detran-PE).
A organização era especializada na prática do crime de inserção de dados falsos em sistemas informatizados da administração pública.
Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, uma prisão preventiva e quatro medidas cautelares diversas da prisão, incluindo afastamento das funções e monitoramento eletrônico que impede aproximação das unidades do Detran e das Circunscrições Regionais de Trânsito (Ciretrans).
O investigado alvo da prisão preventiva é réu em mais de 18 processos relacionados ao mesmo tipo de fraude. Ele atuava de forma irregular como atendente e responsável pelo controle de qualidade do órgão.
Ao todo, foram 40 policiais atuantes na ação, que aconteceu nas cidades de Recife, Paulista e Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife.
Como funcionava o esquema
Iniciadas em 2025, as investigações apontam que o grupo usava notas fiscais e procurações falsificadas contendo números de chassi de veículos ainda não vendidos (parados em concessionárias ou montadoras). Servidores inseriam esses dados falsos no sistema para gerar emplacamentos fraudulentos antes mesmo da venda real do veículo.
Não eram observadas a conferência da documentação original nem a validação das procurações, conforme previsto no manual operacional do Detran-PE.
O delegado adjunto da 1ª Delegacia de Combate à Corrupção, Júlio César Pinheiro, explica as etapas da ação criminosa: "A dinâmica criminosa envolvia servidores que atuavam em fases distintas do primeiro emplacamento. Um realizava a análise inicial da documentação e outro, responsável pelo controle de qualidade, deixava de cumprir deliberadamente os procedimentos obrigatórios de conferência, permitindo a inserção de dados falsos no sistema do Detran".
Compradores legítimos, empresas e até órgãos públicos de outros estados não conseguiam emplacar veículos já registrados fraudulentamente em Pernambuco. Ocorrências foram identificadas em pelo menos oito estados.
"Em muitos casos, a pessoa cujo nome era utilizado para o primeiro emplacamento fraudulento sequer tinha conhecimento de que seus dados estavam sendo empregados pela organização criminosa. Algumas nem residiam em Pernambuco", destacou Júlio César Pinheiro.
A Polícia Civil afirma que as investigações sobre o caso continuarão.
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