Obra de R$ 38 milhões em Cariacica é alvo de denúncia por trabalho irregular
Operários dizem ter sido aliciados para obra na Vila Merlo e relatam atrasos, más condições e presença de menores; Polícia Civil investiga
Trabalhadores de uma obra de prédios residenciais em Vila Merlo, Cariacica, alegam estar trabalhando sem salário e com fome. De acordo com informações obtidas pela repórter Jullia Cássia, para o Tribuna Notícias 1ª Edição, da TV Tribuna/Band, os trabalhadores foram contratados com a promessa de bom salário e boas condições de trabalho, o que, segundo eles, não foi cumprido.
Os trabalhadores afirmam que foram abordados informalmente por uma pessoa que se passava por representante da construtora responsável pela obra. Um desses trabalhadores, que é do Paraguai, disse que vendeu a própria moto para conseguir comprar uma passagem de avião e trabalhar nessa obra. Outros trabalhadores vieram de estados como Minas Gerais, Pará, Bahia e Rio de Janeiro.
Por não terem recebido o salário prometido, alguns desses trabalhadores não conseguem retornar para seus locais de origem. Eles também afirmam que estão passando por necessidades básicas, como fome, por não terem recebido o dinheiro das diárias.
Outro ponto de reclamação desses trabalhadores refere-se aos alojamentos, que estão em situação crítica. Não há gás de cozinha e eles precisam buscar lenha para conseguir cozinhar.
Dois menores de idade, de 17 anos, também foram contratados para trabalhar nessa obra.
A Polícia Civil abriu um inquérito em março deste ano para apurar os fatos envolvendo a empresa responsável pela obra ou algum representante que tenha se passado por funcionário da construtora. As diligências estão em andamento.
A obra
A obra trata da construção do Residencial Vista da Serra I, no valor de R$ 38,5 milhões. É financiada pelo Fundo do Minha Casa, Minha Vida, pelos governos federal e estadual, por meio da Caixa Econômica Federal, e pela Master Construtora, empresa que venceu a licitação.
A construção de 250 apartamentos, em prédios populares, teve início em setembro de 2025 e tem previsão de conclusão em março de 2027.
A denúncia foi acompanhada pelo presidente da construção civil, que listou uma série de irregularidades presentes na obra.
"Nós temos meninos menores de idade trabalhando, havia quatro trabalhadores estrangeiros, as pessoas não têm cama, não existe higienização. A moça que fazia a comida deixou de receber e parou de fazer a comida. É uma condição totalmente desumana de trabalho análogo à escravidão", disse Paulo Cesar Borba.
Nota da construtora
A Master Construtora emitiu uma nota dizendo que a pessoa que entrou em contato com os trabalhadores não é representante da empresa e sequer integra o quadro de colaboradores. A construtora informou também que, desde que tomou conhecimento da situação, na terça-feira (07), colocou como prioridade que os trabalhadores recebam assistência e que a situação seja solucionada o mais rápido possível.
A construtora ainda negou que tenha abandonado os trabalhadores ou se omitido diante da situação.
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